No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) chama atenção para um desafio que ainda marca a vida de milhares de pessoas na Amazônia: o acesso contínuo a serviços de saúde. Em territórios onde o deslocamento até a sede do município pode levar horas ou até dias por via fluvial, garantir atendimento básico, acompanhamento clínico e acesso a especialistas ainda depende de soluções adaptadas à realidade local.
É nesse contexto que atua o SUS na Floresta, projeto voltado ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde em territórios de difícil acesso na Amazônia. A iniciativa é realizada pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundo Vale e Umane, com gestão parceira do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e articulação com o poder público municipal e estadual.
O projeto combina a entrega de benfeitorias de atendimento à saúde equipada para os serviços de telessaúde, médico e enfermagem, atendimento odontológico, ações em educação em saúde e apoio à gestão pública. A proposta é ampliar o acesso ao cuidado em comunidades ribeirinhas do interior do Amazonas, criando melhores condições para atendimentos presenciais e remotos, além de contribuir para a organização do atendimento nos territórios.
Antes da chegada da estrutura, o acesso à saúde em muitas dessas comunidades dependia de deslocamentos longos e, em situações mais graves, de viagens urgentes até a cidade. Para a moradora Francisca Luzineide, a mudança na rotina foi significativa.

“Melhorou muito, porque antes, quando a gente precisava, tinha que ir para Eirunepé. Agora está bem melhor, porque já temos atendimento mais perto e o apoio da técnica de enfermagem. Quando a gente precisa, está ali, pertinho, e isso faz muita diferença”, afirma.
Ela lembra que, antes, em casos de emergência, a viagem podia levar de três a quatro dias, dependendo do período do ano.
Ao integrar benfeitorias, tecnologia e suporte às equipes de saúde, o SUS na Floresta contribui para reduzir deslocamentos longos e tornar o atendimento mais próximo da realidade das comunidades.
Em uma região onde o rio influencia diretamente o acesso a consultas, exames e acompanhamentos, iniciativas como essa ajudam a fortalecer a presença da saúde pública onde ela é mais necessária, ampliando a continuidade do cuidado e a resolutividade da Atenção Primária.
Francisco Erli, presidente da comunidade do Ubim, destaca o impacto coletivo da iniciativa. “Antes, a gente precisava sair daqui para ir até a cidade em busca de tratamento e para fazer exames. Hoje, já temos esse atendimento aqui na comunidade. Para mim, isso representa uma melhoria muito grande, não só para a nossa comunidade, mas também para outras comunidades da Resex Rio Gregório”, afirma.
Para a superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima, ampliar o acesso à saúde em comunidades remotas é uma medida essencial para reduzir desigualdades históricas na Amazônia. “Garantir saúde em territórios de difícil acesso exige soluções conectadas à realidade local. Quando conseguimos aproximar o cuidado de quem vive na floresta, damos um passo importante para fortalecer direitos e melhorar a qualidade de vida dessas populações”, afirma.
No Dia Mundial da Saúde, a FAS reforça que o direito à saúde precisa alcançar também as regiões mais distantes da Amazônia. Levar estrutura, tecnologia e apoio contínuo a esses territórios é parte fundamental da construção de uma saúde pública mais acessível e mais justa.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.





