SOBERANIA OU VASSALAGEM: O NACIONALISMO REVOLUCIONÁRIO CONTRA O IMPERIALISMO NA AMÉRICA LATINA – Por: Rafael Medeiros

A história recente do Brasil e do continente é a crônica de uma guerra híbrida desenhada para converter nações soberanas em colônias de exportação de matéria-prima. Para o marxismo-leninismo, o imperialismo não é uma escolha política, mas a necessidade sistêmica do capital financeiro de exportar capital e controlar fontes de energia.

  1. A Farsa do Patriotismo Entreguista
    O fenômeno que culminou no 8 de janeiro e no governo anterior operou uma quebra cognitiva: utilizou as cores da bandeira para camuflar o desmonte do Estado.

O Falso Nacionalista: Defende a soberania nos costumes, mas entrega o pré-sal, a tecnologia aeroespacial e a soberania monetária ao capital estrangeiro.
A Realidade: A Lava Jato, como agora comprovado, funcionou como um braço jurídico-estratégico de potências externas para paralisar a engenharia pesada brasileira e o setor de óleo e gás.

  1. Soberania sob a Ótica de Lênin
    Para Lênin, a soberania em um país periférico só existe se houver independência econômica. Não há país soberano cujas decisões de investimento são tomadas em Wall Street ou cujas forças armadas dependem de tecnologia que pode ser “desligada” remotamente pelo fornecedor imperialista.

“O capital financeiro é uma força tão considerável, poder-se-ia dizer tão decisiva em todas as relações econômicas e internacionais, que é capaz de submeter, e submete efetivamente, até os Estados que gozam da independência política mais completa.” V.I. Lênin

  1. Pilares para a Reconstrução da Soberania Brasileira
    Para combater o imperialismo e proteger o Brasil do destino que tentam impor à Venezuela e Cuba, propomos quatro soluções estratégicas:

I. Soluções Econômicas: A Desfinanceirização
Controle de Capitais: Impedir a fuga de divisas e garantir que o lucro gerado no Brasil seja reinvestido na indústria nacional.
Retomada de Ativos Estratégicos: Reestatização plena de setores de energia (Eletrobras) e garantia da Petrobras como indutora do desenvolvimento tecnológico, e não apenas pagadora de dividendos a acionistas estrangeiros.

II. Soluções Militares: Dissuasão e Tecnologia
Doutrina de Defesa Nacionalista: Romper com a subordinação ideológica às escolas militares do Norte. As Forças Armadas devem servir ao povo e ao projeto de desenvolvimento, não à proteção da propriedade privada transnacional.
Indústria de Defesa Própria: Fomento à tecnologia de ponta nacional (mísseis, submarinos nucleares, defesa cibernética) para garantir que o “custo de invasão” do Brasil seja proibitivo para qualquer potência.

III. Soluções Ideológicas: Consciência de Classe e Nação
Educação para a Soberania: Desconstruir a narrativa liberal de que o Estado é ineficiente. Mostrar que o ataque ao Estado é o ataque ao bem-estar do povo.
Unidade Latino-Americana: Entender que a defesa de Caracas ou Havana é a defesa de Brasília. O imperialismo ataca em bloco; a resistência deve ser continental.

O Despertar da Razão Histórica

O brasileiro precisa compreender que nacionalismo sem anticapitalismo é folclore. Ser patriota é defender a riqueza do subsolo para que ela se transforme em hospitais e escolas, e não em lucro de petroleiras estrangeiras. Aqui pude concluir que o destino do Brasil está em disputa: ou avançamos para uma soberania revolucionária, que retoma o controle dos meios de produção e da defesa nacional, ou seremos o próximo item na lista de pilhagem do império.

Radiografia da Desindustrialização Brasileira (2011–2026)

O processo de desindustrialização no Brasil não é apenas um fenômeno econômico, mas uma amputação da capacidade de autodeterminação nacional. Na última década, o país testemunhou o fechamento de quase 10 mil empresas industriais, o que resultou na eliminação de mais de 1 milhão de postos de trabalho qualificados. Esse esvaziamento é particularmente severo na indústria de transformação, que é o coração da inovação e da soberania tecnológica.
Embora o faturamento industrial tenha apresentado espasmos de recuperação em 2024 e início de 2025, os dados de longo prazo revelam uma tendência de “frenagem”. A participação da indústria no PIB brasileiro, que já foi de quase 30% na década de 1980, oscila hoje abaixo dos 25%, com um peso cada vez maior da indústria extrativa (minério e petróleo) em detrimento da produção de bens de alto valor agregado. Em novembro de 2025, a produção industrial registrou queda de 1,2% em relação ao ano anterior, evidenciando que os juros elevados e a abertura comercial desregrada continuam a asfixiar o parque produtivo nacional. O cenário para 2026 aponta para uma manutenção da ociosidade, com os empresários dos setores de tecnologia e manufatura mantendo índices de confiança abaixo da linha de estabilidade, confirmando que o Brasil está sendo empurrado de volta à condição de “fazenda e mina” do mundo.

A Teoria da Exportação de Capitais e o Brasil Contemporâneo
Na obra clássica de Lênin, a exportação de capitais é definida como a característica distintiva do imperialismo em relação ao “velho capitalismo” de exportação de mercadorias. No Brasil atual, essa teoria se manifesta de forma cruel através da “reprimarização” da economia. Enquanto o capital financeiro internacional e as potências imperiais exportam capital para o Brasil não para desenvolver nossa tecnologia, mas para capturar nossos recursos naturais e infraestrutura estratégica , os lucros e a mais-valia extraídos do trabalhador brasileiro são imediatamente “exportados” de volta aos centros do poder global na forma de dividendos e juros da dívida.
Isso cria um ciclo de dependência onde o Brasil recebe investimento estrangeiro (exportação de capital do império) para comprar empresas já existentes (privatizações) ou para financiar o agronegócio exportador. O resultado é o controle externo sobre as decisões políticas nacionais. Lênin explicava que o capital financeiro “estende suas redes sobre todos os países do mundo”, e no Brasil de hoje, isso se reflete na submissão do Banco Central e das políticas fiscais aos interesses dos credores internacionais. A exportação de capitais para o Brasil serve para garantir que o país permaneça um fornecedor de energia e alimentos baratos, enquanto a nossa indústria é desmantelada para não competir com os monopólios transnacionais. É a face moderna da dominação: não mais apenas pela ocupação territorial, mas pelo controle absoluto dos fluxos financeiros e da infraestrutura vital do país.

Um link formidável explica ainda mais o aprofundamento de nossa análise: https://youtu.be/MEhm2WAPV6g?si=x3RWYkaKUqhF0hoi

Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada | Jornal Clandestino.

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