Enquanto as peças publicitárias da Prefeitura de Manaus celebram a expansão de vagas na educação infantil, os bastidores das creches municipais revelam uma estratégia baseada mais em “puxadinhos” estatísticos do que em investimento real. A denúncia parte do sindicato da categoria (AspromSindical), que acusa o prefeito David Almeida (Avante) de promover uma perigosa maquiagem de números através do Decreto nº 6.152.
A estratégia é simples, porém cruel: em vez de erguer novas estruturas, a gestão municipal optou por “espremer” mais crianças em espaços já saturados. O resultado são cenários alarmantes, como salas de Maternal 1 com 16 bebês de um ano — que demandam colo e trocas constantes — confinados em espaços reduzidos. No Maternal 2, a proporção chega a 24 crianças para apenas duas professoras, um cenário que desafia qualquer protocolo de segurança e pedagogia.
Ao tratar a educação infantil como um “depósito”, a prefeitura não apenas engana os pais que acreditam estar recebendo um serviço de qualidade, mas também coloca em risco o desenvolvimento dos pequenos e a saúde mental dos educadores. O aumento de vagas no papel pode render bons gráficos em ano eleitoral, mas nas salas de aula, o que se vê é o sufocamento do ensino público.
Manaus possui orçamento para construir; o que falta, ao que parece, é o respeito à dignidade da primeira infância e o fim da política de “encaixe” que prioriza o aplauso fácil em vez do cuidado real.






