Zona Franca de Manaus completa 59 anos transformando investimento industrial em desenvolvimento regional

Com R$ 19,9 bilhões aprovados, Amazonas ampliou empregos e financiou educação e crédito na região

Fotos: Bruno Leão/Sedecti e Arquivo/Secom

Com R$ 19,9 bilhões em investimentos aprovados, a Zona Franca de Manaus chega aos 59 anos consolidada como uma política de Estado que vai além da indústria. Desde 2023, o Governo do Amazonas tem direcionado os resultados do modelo para educação, crédito, inovação e desenvolvimento regional sustentável.

O resultado é um ciclo estruturado e contínuo: atração de indústrias, geração de empregos, formação de capital humano, fomento ao empreendedorismo e estímulo à pesquisa aplicada. Mais do que um instrumento de compensação geográfica, a Zona Franca tornou-se uma política de Estado, capaz de ampliar a base produtiva, fortalecer a arrecadação e reinvestir recursos em educação, ciência, crédito produtivo e infraestrutura, retroalimentando o próprio desenvolvimento.

Projetos aprovados

No centro dessa dinâmica está o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam). Órgão colegiado e técnico, o Codam, sob coordenação Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), é responsável por analisar e aprovar projetos industriais que desejam se instalar ou expandir operações no Estado, definindo enquadramentos, incentivos e contrapartidas. 

Entre 2023 e 2025, durante a segunda gestão do governador Wilson Lima e sob a condução do secretário Serafim Corrêa, o Codam aprovou 840 projetos industriais, crescimento expressivo em relação ao período anterior, quando foram 673 aprovações. O volume total de investimentos alcançou R$ 19,94 bilhões. A expansão também se refletiu no emprego: 24.618 novos postos aprovados, superando os 23.382 do ciclo anterior, além do aumento do total de mão de obra prevista, que passou de 34.431 para 36.149 empregos. 

Os números indicam mais que dinamismo econômico. Revelam o fortalecimento da política de atração de investimentos e sua conexão com diretrizes estratégicas do Estado: crescimento econômico com inovação e impacto regional.

As contrapartidas

A aprovação no Codam não significa apenas acesso a incentivos fiscais. Ela estabelece um compromisso. Empresas beneficiadas assumem contrapartidas previstas na legislação estadual e federal, especialmente relacionadas à geração de empregos, investimentos produtivos e aportes financeiros destinados a fundos estratégicos.

Esses recursos, provenientes principalmente da arrecadação de ICMS vinculada ao modelo e de contribuições específicas atreladas ao PIM, alimentam instrumentos estruturantes do desenvolvimento amazonense.

Entre eles está o Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI), que direciona recursos para projetos estruturantes e ações no interior do Estado. 

Outro eixo é o Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento Social do Estado do Amazonas (FMPES) administrado pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). O fundo garante crédito orientado, fortalecendo pequenos negócios, atividades produtivas e cadeias locais. 

Há ainda o financiamento integral da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), sustentado majoritariamente por recursos vinculados ao modelo Zona Franca. 

Essa arquitetura revela um princípio central: parte relevante da riqueza gerada pelo PIM retorna à sociedade por meio de políticas públicas permanentes. 

Para o secretário de Estado da Sedecti, Serafim Corrêa, o incentivo fiscal não é um benefício isolado. Ele faz parte de um modelo que exige responsabilidade. Cada projeto aprovado assume compromisso com emprego, com investimento e com o financiamento de políticas públicas que alcançam toda a sociedade. 

“O que nós estamos fazendo é garantir que a riqueza gerada pelo Polo Industrial retorne para o povo do Amazonas. Retorne em crédito para o pequeno empreendedor, em recursos para o interior, em investimento em pesquisa e inovação. Esse é o sentido do modelo”, afirma o secretário.

UEA: a indústria financiando conhecimento 

A Universidade do Estado do Amazonas é um dos exemplos mais claros dessa engrenagem. Em 2026, 97,7% do orçamento autorizado da instituição é proveniente da fonte 1599116, recursos vinculados ao modelo econômico da Zona Franca de Manaus. 

Entre 2023 e 2025, os valores empenhados com essa fonte cresceram de R$ 658,2 milhões para R$ 890,1 milhões, um avanço significativo que ampliou a capacidade acadêmica, científica e estrutural da universidade. 

Hoje, todos os alunos da UEA são atendidos por esses recursos: 20.374 estudantes de graduação e 6.032 de pós-graduação, considerando dados consolidados de 2025. 

Na prática, isso significa que a política industrial financia diretamente formação de capital humano, pesquisa científica e inovação tecnológica, elementos centrais para diversificação econômica e fortalecimento regional. 

Além do orçamento institucional, empresas do PIM também realizam investimentos obrigatórios em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), fomentando parcerias com universidades e centros de pesquisa locais.

Crédito, interiorização e pequenos negócios

No segundo mandato do governador Wilson Lima (2023–2026), a Afeam já aplicou mais de R$ 915 milhões em crédito, totalizando 45.960 operações. A meta do governo, na diretriz de Fomento e Geração de Emprego e Renda, é alcançar R$ 1 bilhão em financiamentos para pequenos empreendedores, setor primário, turismo e empresas de base tecnológica sustentável. Desde 2019, o volume já supera R$ 1,48 bilhão. 

Grande parte dessas operações é viabilizada com recursos do FMPES, fundo alimentado, direta ou indiretamente, pela dinâmica econômica impulsionada pelo PIM. Assim, a indústria instalada em Manaus também sustenta oportunidades no interior, fortalecendo cadeias produtivas regionais. 

“Nosso compromisso é garantir que cada recurso investido chegue a quem realmente precisa, com critérios técnicos, responsabilidade e total clareza nos processos, visando atender todos os municípios do estado”, destaca o diretor-presidente da Afeam, Marcos Vinícius Castro.

Inovação industrial: o caso Livoltek 

O perfil dos projetos aprovados pelo Codam também revela uma transformação qualitativa. Entre os exemplos recentes está o projeto da empresa Livoltek, de produção de sistemas para embarcações elétricas, as chamadas “rabetas elétricas”.

A proposta alia inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental. Os motores operam sem emissão local de gases poluentes, reduzem ruído e vibração, diminuem custos operacionais e podem ser integrados a sistemas de gestão inteligente de energia, incluindo uso de fontes renováveis. 

Segundo o gerente da empresa, Márcio Souza, o início das operações dependerá da tramitação dos processos e da demanda de mercado. “A ideia é começar as operações o quanto antes, mas não temos um prazo específico, pois há toda uma tramitação que exige análises detalhadas”, explica. 

Entre os trabalhadores impactados pela iniciativa está o pescador Adalgiso Silveira de Oliveira, de 64 anos, que destaca a mudança na rotina e na renda. 

“Aqui para a gente melhorou, porque às vezes colocávamos 30 ou 40 reais de gasolina e depois não ganhávamos nada, né? Com esse, não. Quando o pescador sai, só pede a Deus para conseguir voltar para casa”, relata. 

Ele também ressalta os benefícios além da economia. “A gente não gasta mais dinheiro com gasolina, não espanta mais os peixes por causa do ruído e não polui o rio. É isso aí”, declara o pescador.

Da indústria à floresta 

Se a primeira etapa do modelo é industrial, a próxima fronteira é estratégica: integrar indústria e floresta. Em novembro de 2025, o Governo do Amazonas lançou o Plano Estadual de Bioeconomia, construído pela Sedecti com participação dos 62 municípios, pesquisadores, empreendedores e comunidades tradicionais. O documento estabelece diretrizes para uma economia de baixo carbono, inclusiva e baseada na sociobiodiversidade. 

A conexão com o modelo Zona Franca é direta. Os recursos gerados pelo PIM, via arrecadação, fundos e investimentos em P&D, criam as condições financeiras e institucionais para que o estado avance em inovação aplicada à floresta, agregação de valor a produtos regionais, certificação, tecnologia e empreendedorismo sustentável. 

Para o Serafim Corrêa, não se trata de substituir a indústria, mas de ampliar sua função estratégica. O parque industrial financia educação, pesquisa e crédito. Esses instrumentos, por sua vez, permitem desenvolver cadeias produtivas da bioeconomia com base científica, governança e escala. 

“A engrenagem permanece a mesma: investimento produtivo gera arrecadação; a arrecadação alimenta fundos; os fundos financiam conhecimento, crédito e inovação; e esses elementos sustentam uma economia mais diversificada e resiliente”, diz o secretário da Sedecti.

Planejar para transformar 

Ao integrar indústria, ciência, crédito e bioeconomia, o Amazonas consolida uma diretriz clara: crescimento econômico com inovação e desenvolvimento regional. O desafio não é apenas manter incentivos, mas aperfeiçoar o modelo, garantindo eficiência, transparência e alinhamento com as novas agendas globais de sustentabilidade. 

“Mais do que um modelo fiscal, trata-se de uma estratégia de longo prazo que transforma investimento industrial em oportunidade social, e que projeta o Amazonas para um futuro em que indústria e floresta não competem, mas se complementam”, finaliza Serafim Corrêa.

 

 

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