A SOCIEDADE SILÊNCIO: A SOCIEDADE PARIDA NA GÊNESE DO CAPITALISMO – Por: Rafael Medeiros

A estrutura do capital não sobrevive apenas pela exploração da força de trabalho; ela se mantém por meio de uma superestrutura ideológica que protege seus agentes. No centro dessa proteção está o “Macho Provedor”, uma construção que serve ao capitalismo ao garantir a estabilidade do núcleo familiar como unidade de consumo e reprodução, enquanto cria uma cortina de fumaça a Sociedade Silêncio para comportamentos desviantes e criminosos.

 

A blindagem do “Homem de Bem” como ativo capitalista

Na perspectiva marxista, o capitalismo exige ordem. O homem que se encaixa no perfil de trabalhador incansável (que sai de madrugada e volta à noite) e provedor econômico é visto como um “engrenagem funcional”. Essa funcionalidade gera um capital social de idoneidade.

 

O Clube da Esquina: Aqui pontuei, a participação em nichos de sociabilidade masculina (o bar, o futebol, a associação de moradores e qualquer outra espécie de vício social) funciona como um contrato de cumplicidade.

 

A Inversão da Culpa: Aquele que é “espontâneo, crítico e fala alto” é lido como uma ameaça à ordem produtiva e, por isso, é o primeiro a ser vigiado. Já o abusador silencioso, que performa o papel de “provedor”, ganha o benefício da dúvida da comunidade.

 

O machismo estrutural como mecanismo de defesa

A sociedade silêncio opera através de uma solidariedade de classe e gênero. Quando um “sócio” desse clube incorre em violência doméstica ou abuso, a comunidade muitas vezes incluindo mulheres alienadas por essa mesma estrutura ativa um mecanismo de negação: “Mas ele é um trabalhador”, “Ele nunca deixa faltar nada em casa”. ( não estamos falando apenas de ricos, as classes possuem sub classes que reproduzem seu andar acima ).

 

A estatística do silêncio: No Brasil, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que a maioria esmagadora dos casos de abuso sexual contra crianças e violência contra a mulher ocorre dentro de casa, cometida por homens conhecidos e considerados “acima de qualquer suspeita”.

 

Dados e evidências científicas

Também posso citar o conceito de “Pacto da Branquitude e Masculinidade” (Cida Bento/Heleieth Saffioti). Saffioti, uma das maiores intelectuais marxistas brasileiras, argumentava que o capitalismo e o patriarcado são sistemas simbióticos. (na masculinidade o pacto funciona para pretos e pobres provedores também).

 

Ocultamento: Pesquisas de vitimologia mostram que o agressor que detém o poder econômico da casa tem 3x mais chances de ter seu crime silenciado pela rede de apoio imediata.

 

O “Outro” Social: Homens que não performam o papel de provedor ou que estão fora dos círculos de consumo (bares, clubes) são alvos mais fáceis para o sistema penal, confirmando sua tese de que o “pertencimento” ao clube machista é uma apólice de seguro contra a justiça.

Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada

Tópicos para reflexão

A Alienação Feminina: Como o capitalismo convence a mulher de que a proteção econômica do agressor é mais importante que a integridade física/psicológica.

A Punição do Crítico: Como a sociedade pune quem se comunica abertamente, pois a transparência é inimiga do controle social capitalista.

A “Sociedade Silêncio” não é um acidente; é um projeto de manutenção de poder onde o crime é tolerado desde que a produtividade e a aparência do “lar sagrado” sejam mantidas… em silencio!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui