BOMBA: Investigação contra Dulce Almeida ganha força no MP após confirmação de repasses do FUNDEB para o Manausmed pagar o Hapvida

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Secretária municipal de Educação, professora Dulce Almeida

MANAUSO Inquérito Civil nº 06.2025.00000465-7, que apura a conduta de Dulcinéa Ester Pereira de Almeida (Dulce Almeida), irmã do prefeito de Manaus, deu um passo decisivo. A investigação sobre o desvio de finalidade de R$ 41,8 milhões do FUNDEB ganhou robustez após a própria Secretaria Municipal de Educação (Semed) entregar ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) farta documentação que confirma as transferências bancárias para o sistema de saúde.

A “confissão” documental

Em setembro de 2025, a defesa da ex-secretária juntou aos autos mais de mil páginas (fls. 84 a 1091) contendo tabelas detalhadas e comprovantes de pagamentos realizados ao FUNSERV – MANAUSMED. Com isso, a materialidade do fato está consolidada: o dinheiro que deveria estar nas salas de aula foi, comprovadamente, transferido para o plano de saúde.

“Encaminhamos, em anexo, os referidos processos, contendo tabelas detalhadas e comprovantes dos pagamentos realizados ao Fundo do Plano de Saúde dos Servidores Municipais – FUNSERV MANAUSMED […] com os recursos de origem do FUNDEB.”

A estratégia da defesa agora tenta justificar o injustificável perante a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que proíbe expressamente o uso de verba da educação para assistência médica (Art. 71, VI).

O Contraste: R$ 41 Mi do FUNDEB vs. R$ 119 Mi para o Hapvida

Enquanto o MP analisa as provas do repasse ilegal feito pela irmã do prefeito, a gestão de David Almeida avança na terceirização. Em 2026, a Prefeitura formalizou um aditivo milionário de R$ 119.927.162,48 com a Hapvida Assistência Médica S.A., garantindo o monopólio do atendimento aos servidores.

O cruzamento dos fatos revela um cenário crítico:

O Desvio: Sob a gestão de Dulce Almeida, R$ 41,8 milhões “carimbados” para a educação foram usados para sanear o Manausmed.

A Confirmação: O MP agora possui todos os recibos e ordens de pagamento que provam a retirada do dinheiro do caixa do FUNDEB.

O Beneficiário: O sistema, agora “socorrido” com verbas da educação, opera exclusivamente via rede privada (Hapvida) em contratos que ultrapassam a casa dos cem milhões de reais.

Próximos Passos

Com a confirmação do uso da verba pela própria defesa, o promotor Alessandro Samartin de Gouveia, da 46ª Promotoria de Justiça, analisa se pede o bloqueio de bens ou a condenação por improbidade administrativa. Caso condenada, a irmã do prefeito pode ser obrigada a devolver cada centavo dos R$ 41,8 milhões aos cofres da educação de Manaus.

O que pode e o que não pode: o uso do dinheiro do FUNDEB

Destinação do RecursoPermitido pela Lei?Base Legal (LDB e Lei do Fundeb)
Salário de Professores e Profissionais da Educação✅ SIMArt. 26 da Lei 14.113 (Mínimo de 70%)
Reforma e Construção de Escolas✅ SIMArt. 70 da LDB (Manutenção do Ensino)
Compra de Material Didático e Merenda✅ SIMArt. 70 da LDB
Transporte Escolar✅ SIMArt. 70 da LDB
Assistência Médica e Odontológica (Manausmed)❌ NÃOArt. 71, VI da LDB
Pagamento de Aposentadorias e Pensões❌ NÃOArt. 71, VI da LDB
Programas de Assistência Social❌ NÃOArt. 71, VI da LDB
Publicidade e Propaganda Governamental❌ NÃOArt. 71 da LDB

 

Espaço para Manifestação

Esta reportagem baseia-se em documentos públicos extraídos do sistema de movimentação processual do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), referentes ao Inquérito Civil nº 06.2025.00000465-7.

Embora as justificativas da defesa da Secretária Municipal de Educação e as notas técnicas da SEMED já constem nos autos (fls. 84 a 1091) — onde confirmam a natureza das transferências — este portal mantém o espaço aberto para que a Profª. Dulcinéa Ester Pereira de Almeida ou a Prefeitura de Manaus enviem notas complementares de esclarecimento, caso desejem se manifestar sobre os desdobramentos da investigação e o apontamento de descumprimento do Art. 71, VI da LDB.

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