RIO DE JANEIRO – O que aconteceu em um apartamento de luxo em Copacabana não foi apenas um crime. Foi uma emboscada. Como jornalista, acompanho a crônica policial há anos, mas a frieza revelada nas últimas horas atinge um novo patamar de abjeção.
Uma adolescente de 17 anos foi atraída por um “amigo” de confiança. O que se seguiu foi uma violência coletiva praticada por cinco indivíduos. Mas o que choca o Brasil agora não é “apenas” o ato, mas o que veio depois: o deboche.
A frase que causou revolta
A Polícia Civil recuperou vídeos e áudios que os próprios agressores produziram. Enquanto a vítima sofria, eles comemoravam. Em um dos registros, a frase que se tornou o símbolo da crueldade:
“A mãe de alguém teve que chorar.”
Dita com a leveza de quem celebra um gol, essa declaração é a assinatura da barbárie. É a prova de que, para esses jovens, a dor da mulher é motivo de troféu.
Quem são os acusados?
Esqueça o estereótipo da criminalidade. Os envolvidos são estudantes de instituições tradicionais e atletas profissionais:
- João Gabriel Xavier Bertho (19 anos)
- Mattheus Verissimo Zoel Martins (19 anos)
- Vitor Hugo Oliveira Simonin (18 anos)
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18 anos)
- Adolescente de 17 anos (o mentor da emboscada)
Todos já estão sob custódia. O delegado Ângelo Lages (12ª DP) classifica a ação como “predatória”. As defesas tentam contestar a participação individual, mas o inquérito é robusto, sustentado por perícia médica e câmeras de segurança.
O grito do 8 de Março
Neste domingo, as ruas das capitais brasileiras ecoaram o nome deste caso. O episódio de Copacabana serviu de combustível para os protestos do Dia Internacional da Mulher. Ele escancara que a violência de gênero não tem CEP — ela está infiltrada em todas as camadas sociais.
Como sociedade, nossa cobrança não pode parar. A justiça precisa ser tão implacável quanto foi o planejamento desse crime. Porque, infelizmente, a mãe dessa jovem chora. E o choro dela deve ecoar até que a impunidade deixe de ser a regra.





