Investigações da Polícia Federal revelam uma complexa rede de corrupção envolvendo advogados, agentes públicos e cúpula da facção para impedir a extradição do traficante neerlandês.
Por Vera Araújo | Publicado em 14/03/2026 às 04h30/ O Globo.
A prisão de Gerel Lusiano Palm, o “Holandês”, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca em 2021, parecia ser um procedimento padrão de extradição. Contudo, três anos depois, o caso desdobrou-se na Operação Anomalia, revelando que o Comando Vermelho (CV) mobilizou uma estrutura de influência política e judicial para mantê-lo no Brasil.
O Núcleo da Trama: Propina e Articulação Política
Segundo o inquérito da Polícia Federal, o plano para evitar que Palm fosse entregue às autoridades dos Países Baixos envolvia o pagamento de propinas vultosas. Os principais operadores identificados são:
Alessandro Carracena: Ex-secretário de governo, apontado como o articulador político do CV.
Fabrizio Romano: Delegado da PF acusado de negociar influência interna e aceitar propina.
Patrícia Carvalho Falcão: Advogada de Palm, suspeita de viabilizar os pagamentos e pressionar pela devolução de valores após falhas no plano.
Luciano “Bonitão”: Policial penal que atuava como facilitador operacional (atualmente foragido).
A cifra da corrupção: Relatórios indicam que a esposa de Palm teria entregue R$ 150 mil em espécie ao delegado Fabrizio Romano como adiantamento para facilitar um pedido de refúgio. O “sucesso” da operação renderia outros R$ 300 mil divididos entre os envolvidos.
A Estratégia de Defesa: Do Refúgio à Crise Humanitária
Após a autorização da extradição pelo STF em 2023, a defesa de Palm iniciou uma “guerra de petições” para paralisar a execução da entrega:
Pedidos de Refúgio: Protocolados no Conare para suspender a retirada compulsória.
Argumentos Humanitários: Alegações de malformação congênita do filho recém-nascido e depressão puerperal da esposa brasileira.
Proteção de Testemunhas: Em 2025, a revelação de que a família de Palm na Holanda entrou em um programa de proteção policial devido a ameaças de grupos criminosos serviu como novo freio processual.
O elo com o tráfico local
A extração de dados de celulares de lideranças do CV, como Índio do Lixão, confirmou o alto valor de Palm para a facção. Além do suporte jurídico e político, Palm recebia regalias como tratamentos dentários estéticos realizados pelo mesmo profissional que atende nos presídios de Bangu.
Atualmente, Palm está custodiado no Presídio Joaquim Ferreira de Souza, vizinho à unidade onde seu “padrinho” na facção, Índio do Lixão, cumpre pena.
Situação Atual dos Envolvidos
Nome Cargo/Papel Status Atual
Gerel Palm Traficante Internacional Preso (Aguardando desfecho de extradição)
Alessandro Carracena Ex-Secretário / Articulador Preso
Fabrizio Romano Delegado Federal Preso
Patrícia Falcão Advogada Presa
Luciano “Bonitão” Policial Penal Foragido
Até o fechamento desta edição, as defesas dos citados não haviam se pronunciado oficialmente. A advogada Patrícia Falcão permanece presa.





