O Tabuleiro Político do Amazonas sob a lente do Direito Eleitoral.

Por Ronaldo Aleixo, Jornalista (DRT 96423/SP) e Especialista em Direito Digital (PUC-RS) e Políticas Públicas (Uninter-PR).

Imagem: https://radaramazonico.com.br/pesquisa-descarta-favoritismo-e-aponta-disputa-acirrada-para-o-governo-do-amazonas-em-2026/

O cenário político amazonense em 2026 desenha um mosaico de estratégias que desafiam a interpretação clássica da pré-campanha. Da capital ao interior, as movimentações de nomes como David Almeida (e seu sucessor, o prefeito Renato Jr.), Eduardo Braga, Omar Aziz, Alberto Neto, Maria do Carmo, Tadeu de Souza, Wilson Lima e o atual governador interino Roberto Cidade, colocam em xeque a paridade de armas e a utilização da máquina pública. Sob a ótica do Direito Digital e das Políticas Públicas, o que observamos é uma linha tênue entre a atividade parlamentar legítima e o abuso de poder econômico e político.

As intensas agendas de Eduardo Braga e Omar Aziz, focadas em pautas estruturantes como a BR-319, exemplificam o uso do mandato para a manutenção de visibilidade. Contudo, a jurisprudência do TSE é vigilante: o limite entre a prestação de contas e a propaganda antecipada reside na ausência das “palavras mágicas” de pedido de voto e na moderação dos meios utilizados. Da mesma forma, as carreatas e eventos de Alberto Neto e Maria do Carmo testam a elasticidade da lei; eventos de magnitude desproporcional podem ser interpretados como antecipação de campanha, ferindo a igualdade de oportunidades antes mesmo do período oficial.

A transição administrativa no Governo do Estado adiciona uma camada extra de complexidade. Com a desincompatibilização de Wilson Lima e a renúncia de Tadeu de Souza para a disputa de novos cargos, a ascensão de Roberto Cidade ao governo interino exige um rigoroso compliance eleitoral. A participação desses atores em inaugurações e entregas de políticas públicas é um campo minado. Como especialistas, sabemos que a exposição excessiva da figura do pré-candidato em atos institucionais é o caminho mais curto para Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs).

Soma-se a isso o movimento na capital: a renúncia de David Almeida, que declarou publicamente o uso de seus feitos em Manaus como vitrine, justamente ao lado do atual prefeito Renato Jr. em eventos de massa com nítida roupagem eleitoral. No jornalismo e na docência superior, defendemos que a informação é o pilar da democracia. No ecossistema digital, onde o alcance é multiplicado por algoritmos, a responsabilidade de quem ocupa cargos públicos é redobrada. O Amazonas não pode permitir que a estrutura estatal ou o poder econômico se sobreponham à liberdade de escolha do eleitor. A vigilância sobre esses atos não é apenas um exercício jurídico, mas um compromisso com a legitimidade das instituições e com o futuro das políticas públicas no nosso estado.

 

Ronaldo Aleixo – É jornalista (DRT 96423/SP), filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e ao Sindicato dos Jornalistas de Roraima (Sinjoper). Tecnólogo em Marketing pela Uninter-AM, possui pós-graduações em Jornalismo Digital, Jornalismo Investigativo, Docência do Ensino Superior e Gestão de Mídias Sociais, além de um MBA em Ciência Política: Relações Institucionais e Governamentais, todos pela Uninter-PR. Atualmente, é pós-graduando em Direito Digital pela PUC-RS, com conclusão e defesa de TCC entregue dia 12 de abril de 2026.

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