Operação contra Comando Vermelho: Depoimento de empresário complica David Almeida

Imagem: https://planeta92.com.br/prisao-de-empresario-ligado-a-viagem-de-david-almeida-ao-caribe-reacende-crise-politica-em-manaus/

MANAUS (AM) – A situação jurídica do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), sofreu um novo revés após a divulgação do depoimento de Alcir Queiroga Teixeira Júnior, proprietário da Revoar Turismo. O empresário, preso na Operação Erga Omnes, detalhou como eram feitos os pagamentos de passagens aéreas para o prefeito e seu círculo próximo.

Segundo o depoente, a assessora pessoal de Almeida, Anabela Cardoso Freitas, realizava compras frequentes de passagens utilizando grandes quantias de dinheiro em espécie. Questionado pelas autoridades, Alcir afirmou não saber se a origem do montante era proveniente do “tráfico de drogas ou de desvio de verbas públicas”.

A investigação da Polícia Civil (PC-AM) e do Ministério Público (MP-AM) aponta que a Revoar Turismo funcionava como uma empresa de fachada para lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV). A organização criminosa teria movimentado mais de R$ 70 milhões em quatro anos, operando em sete estados brasileiros.

Em seu relato, o empresário considerou “estranho” o uso constante de notas de R$ 50,00 e R$ 100,00, enquanto a maioria dos clientes preferia PIX ou cartão de crédito. Ele revelou que apenas as passagens da própria Anabela eram pagas com cartão; as de David Almeida, da primeira-dama Izabelle Fontenelle e de familiares eram quitadas em “dinheiro vivo”.

Um dos episódios citados envolve uma viagem ao Caribe em fevereiro de 2025. De acordo com o empresário, a assessora pagou R$ 34 mil em espécie por passagens para a ilha de Saint Martin e Saint Barth em nome do prefeito e da primeira-dama. O dono da agência afirmou ter avisado a Anabela que, embora o pagamento fosse em mãos, o registro da emissão ficaria no sistema.

Em resposta aos desdobramentos, David Almeida convocou uma coletiva de imprensa na última segunda-feira, 23. Na ocasião, o prefeito defendeu a integridade de sua assessora, classificando-a como pessoa de sua “total confiança”, e criticou a operação policial, chamando o empresário Alcir Queiroga de “idôneo”.

A defesa de Anabela Cardoso Freitas destaca que a servidora possui renda mensal superior a R$ 60 mil, somando salários de policial licenciada, bônus de gabinete e pensão parlamentar. O argumento sugere que ela teria capacidade financeira para os gastos, embora a legislação brasileira exija a comprovação da origem lícita em transações dessa natureza.

A Operação Erga Omnes segue investigando a infiltração de facções criminosas na administração pública e no Judiciário. Caso as suspeitas se confirmem, os envolvidos podem responder por lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas variam de 3 a 10 anos de reclusão.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui