Polícia faz operação contra o Comando Vermelho.

Imagem: Ilustrativa/Arquivo Portal.

As polícias Civil e Militar deflagraram nesta terça-feira a Operação Colmeia contra o tráfico de drogas do Comando Vermelho na Lapa, no Centro do Rio, e identificaram que criminosos submetiam usuários a sessões de tortura na região. A ação já prendeu 17 suspeitos e ocorre em uma área de grande circulação e forte apelo turístico, com pontos como a Escadaria Selarón e ruas movimentadas como a Riachuelo , áreas de atuação do tráfico.

A operação é resultado de uma investigação da 5ª DP (Mem de Sá) que durou um ano e dois meses e levou ao indiciamento de 25 traficantes. Ao todo, as equipes cumprem 28 mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Os alvos foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio, junto com outros cinco acusados de tráfico.

As investigações apontam que o tráfico na Lapa é chefiado por Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, e por Anderson Venâncio Nobre de Souza, o Piu, também conhecido como Português, responsável pela operação direta da venda de drogas na região.

De acordo com a polícia, a organização criminosa estruturou pontos de venda próximos a áreas de grande circulação. Nos últimos meses, houve avanço do tráfico de crack, com usuários consumindo a droga à noite em vias movimentadas, como a Rua Riachuelo, e em trechos da Rua Moncorvo Filho.

Segundo a polícia, a preparação e a distribuição das drogas destinadas à Lapa são feitas na comunidade do Fallet-Fogueteiro, no Rio Comprido, na Zona Norte do Rio, onde parte dos integrantes também se esconde. O morro é alvo da operação, assim como o dos Prazeres, entre o Centro e Santa Teresa. A Polícia Civil afirma ainda que alguns investigados, identificados como “gerentes de carga”, não tinham antecedentes criminais nem mandados anteriores, sendo responsáveis pela logística do tráfico.

Tráfico a céu aberto

Ainda de acordo com as investigações, um dos principais pontos de venda de drogas ficava situado na esquina das ruas Joaquim Silva e Travessa do Mosqueira. Lá, traficantes caminhavam pela calçada até serem abordados por usuários. Um deles é Larissa Gomes Quintanilha, a Lala, apontada como gerente da boca e uma das procuradas pelos agentes.

A esquina fica a cerca de 100 metros da Escadaria Selarón e a 200 metros dos Arcos da Lapa. Também está a 380 metros do Quartel-General da PM e a 670 metros da sede da Polícia Civil e da 5ª DP (Mem de Sá), responsável pelos registros de ocorrência na Lapa.

Extorsão e domínio territorial

Um dos eixos da investigação trata de extorsão de comerciantes informais em um dos pontos mais movimentados da Lapa. Segundo as investigações, Abelha, impôs em meados de 2025 uma “taxa” diária a ambulantes que desejam trabalhar no entorno da Escadaria Selarón.

Assim, aqueles que atuam nas ruas Teot}onio Regadas, ao lado da Sala Cecília Meireles, e Joaquim Silva seriam obrigados a pagar até R$ 130 por dia. A polícia afirma ter identificado comprovantes de transferências em nome de Endrew Silva Lima, o Di Mulher, apontado como um dos comparsar de Abelha.

Além disso, também foram recolhidos áudios que, segundo os investigadores, indicam uma tentativa de ampliação da influência da facção para além do comércio de drogas. Em uma mensagem de voz trocada em 7 de outubro de 2024, entre um interlocutor e Pedro Martins Ramos, o Magrinho, também apontado como parte do grupo criminoso, traz a possibilidade de atuação na associação de moradores do Fallet-Fogueteiro.

A ideia seria lucrar com a organização, ajudar “o amigo” — referência, segundo a apuração, a Piu — e utilizar a atividade como forma de “mascarar” ações ilícitas, com um “trabalho fixo” e um “migué”.

“Mano, tô sufocando ele aqui pra ver o bagulho da quadra, mano. Tem que injetar nele também, pra nós botar associação de morador lá. Qual é mano? Esse bagulho aí rola um dinheiro maneiro, Bolão. Tá de bobeira? Nós vai trabalhar com o amigo no bagulho. Nós vai ficar forte. Ainda vai deixar amigo forte. Ainda vai ter um migué, mano. Um trabalho fixo, nós vai tirar onda. Tem que tocar nessa tese pra ele direto. Pra nós pegar a quadra de volta e botar associação de morar lá dentro.” revela o áudio.

Para os investigadores, o conteúdo sugere uma tentativa de infiltração em espaços comunitários como forma de ampliar poder territorial, obter renda e conferir aparência de legalidade à atuação criminosa.

Coordenada pela Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), a operação conta com equipes dos departamentos gerais de Polícia Especializada (DGPE) e da Capital (DGPC), da Core, da Subsecretaria de Inteligência da PM, do Bope e do Batalhão de Ações com Cães (BAC).

O nome da operação é um trocadilho com o traficante Abelha, apontado como um dos chefes do esquema e que, segundo a polícia, está escondido na Rocinha.

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