Sumida das telas desde os tempos da Escrava Isaura (1976), a atriz Lucélia Santos apareceu do nada e criticou Regina Duarte

Escrava Isaura é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo, no horário das 18 horas, entre 11 de outubro de 1976 e 5 de fevereiro de 1977

Morando em Portugal por causa das gravações da novela para TVI, Lucélia Santos, 62, que estava sumida desde os tempos da Escrava Isaura, afirmou que tem muita admiração por Regina Duarte, mas que não será bom para a atriz participar da gestão de Jair Bolsonaro.  Ela disse ainda que Regina mudou seus valores de décadas passadas e que hoje a preocupação dela é voltada ao agronegócio e menos às artes.

Regina Duarte vai assumir o comando da Secretaria Especial da Cultura, após a queda do dramaturgo Roberto Alvim, demitido por ter copiado frases do nazista Joseph Goebbels em um pronunciamento oficial.

“Regina assumiu uma pasta de Cultura que está completamente intoxicada pelos últimos acontecimentos que vieram pelo Roberto Alvim, que já surpreendeu a classe artística, porque tinha um histórico de ser um histórico de ser um intelectual importante. (…) Ele era respeitadíssimo pela classe artística e, de repente, apareceu esse monstro nazista parodiando Goebbels”, disse Santos, em entrevista ao programa Conexão Lisboa, da TV 247, na noite desta sexta (31).

Lucélia Santos afirmou que o governo Bolsonaro, desde a sua campanha, usa uma tônica neofascista, misógina e de ódio às mulheres. “Para esse governo dar porrada em mulher é razoável. As mulheres devem ser mesmo estupradas, só não as feias. É tudo assim em um nível tóxico que é extremamente importante de ser revisto aqui antes de chegar a Cultura. Vem aí a perseguição aos gays, as pessoas que são trans, aos negros e a todas as pessoas que são diferentes da sociedade branca, que ele não gosta muito. É muito semelhante ao que havia de ambiente durante o nazismo.”

A atriz afirmou ainda que Bolsonaro não poupa ninguém de dizer o que ele pensa. “Ele escreve no Twitter. Ele e os filhos deles dizem claramente no Twitter. (…) Essas são as ideias do nosso presidente. As pessoas que o seguem, eu parto do princípio de que concordam com ele. Votarem nele, porque tem empatia por esse ideário, com esse projeto. ”

“O que acontece num contexto fascista e autoritário. A primeira coisa que eles querem exterminar é a Cultura, porque é a Cultura que tira as pessoas de uma situação de seres lesados para um certo despertar, porque a Cultura é livre e tem que ser livre. A Cultura tem que se expressar na sua potencialidade em todos os níveis. E a Cultura não se prende, não se pode aprisionar a Cultura, não se pode escravizar a Cultura”, diz a atriz sobre a forma pela qual o governo federal trata a cultura brasileira.

Santos diz que Regina Duarte é uma atriz importantíssima, que tem “uma história na televisão e no teatro brasileiro”. “É uma pessoa importante para as artes e para a Cultura brasileira.” Porém, diz a atriz, “Regina foi ficando cada vez mais comprometida com certos valores e o que ela defende agora é o agronegócio”.

“Regina Duarte não é mais uma pessoa tão comprometida com as artes quanto ela é com o agronegócio, ela se juntou ao Bolsonaro na campanha, foi à avenida Paulista gritar que tinham mesmo que entrar na Amazônia e deixar o gado e deixar as máquinas entrarem para proliferação de monocultura. Ela é uma mulher que defende o agronegócio”, diz a atriz.

“Ai se explica a aproximação dela dessa ideologia de Bolsonaro. Ela tem empatia por Bolsonaro e o Bolsonaro tem empatia por ela. Isso é uma associação nefasta, isso não vai ser bom para a Regina. Quem mais tem a perder, além do Brasil, é ela própria. Eu não sei o que ela vai conseguir fazer para virar esse jogo. Como Regina Duarte vai conseguir reverter esses valores? Ela está interessada em reverter esses valores? Bolsonaro vai permitir que ela o faça?”, completa.

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