Manaus encerra o ciclo de 2025 sob um contraste vergonhoso. De um lado, o marketing institucional que tenta projetar uma metrópole moderna e conectada; do outro, escombros de um patrimônio que a burocracia insiste em ignorar. O Conjunto Eldorado e o Parque do Bindá não são apenas coordenadas geográficas no mapa do Parque 10; são termômetros de uma gestão que parece ter perdido a sensibilidade para o que é essencial.
A Praça do Caranguejo: entre o brilho do passado e a penumbra do presente
A Praça do Caranguejo, outrora o coração pulsante da gastronomia manauara, hoje sobrevive por aparelhos — e pela teimosia dos comerciantes locais. É inadmissível que um local que sustenta centenas de empregos e atrai turistas há 30 anos chegue ao fim de 2025 entre buracos e calçadas estilhaçadas.
A responsabilidade da Seminf, sob o comando de Renato Júnior, é direta. A infraestrutura de um polo gastronômico não é luxo, é investimento econômico. Negligenciar o asfalto, a iluminação e o mobiliário urbano da Praça é, na prática, sabotar a economia local e desrespeitar a memória afetiva da população.
Parque do Bindá: O Retrato do abandono ambiental
Se na Praça o problema é o descaso com o comércio, no Parque do Bindá a ferida é ambiental e social. O cenário de “estado de abandono” denunciado por moradores revela uma falha grave na manutenção de áreas verdes.
Segurança: A escuridão e o matagal transformaram o lazer em medo.
Saúde: Onde deveria haver preservação, há acúmulo de lixo e estagnação.
A crítica aqui não é apenas estética, é de gestão de prioridades. Como pode uma secretaria de obras ignorar o centro nevrálgico da Zona Centro-Sul enquanto promove ações de fachada em outras áreas? O “modernismo” de Manaus não pode ser apenas de LED em avenidas principais; ele precisa chegar às calçadas onde o cidadão caminha e às praças onde a cultura acontece.
O Eldorado e o Bindá pedem socorro. O encerramento de 2025 sem um plano de revitalização concreto é o atestado de uma administração que olha para o futuro com óculos de realidade virtual, mas tropeça nos buracos do presente. Tradição não se reconstrói com posts em redes sociais; se reconstrói com brita, asfalto, luz e, acima de tudo, respeito ao contribuinte.
Fotos enviadas por eleitores e moradores do Conjunto.









Parque do Bindá em estado de abandono.




Foto: Carlos Oliveira/Vice-Prefeito





