Médicos pediatras da prefeitura participam de treinamento para alinhar atendimento aos bebês expostos à sífilis

Fotos - Divulgação/Semsa

Com o objetivo de reforçar a qualificação de médicos pediatras da rede municipal, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu, na tarde desta quinta-feira, 19/3, o treinamento “Atualização em Manejo do Bebê Exposto à Sífilis e com Sífilis Congênita – 2026”.

A programação, coordenada pelo Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e Hepatites Virais da Semsa, foi realizada na Unidade de Saúde da Família (USF) Severiano Nunes, no bairro Jorge Teixeira, zona Leste, direcionada para 14 pediatras que atuam em USFs vinculadas ao Distrito de Saúde (Disa) Leste.

A enfermeira Ylara Enmily Costa, uma das coordenadoras do treinamento, explicou que o grupo de médicos foi selecionado entre os profissionais que já trabalham ou que vão começar a trabalhar em unidades de saúde que realizam o seguimento do bebê de risco, acompanhando crianças que nasceram prematuras, com baixo peso ou com comorbidades.

“O município de Manaus registra uma média anual de 1.500 bebês expostos à sífilis, o que significa que a mãe foi diagnosticada com sífilis na gestação. Independente da mãe ter realizado ou não o tratamento na gestação, a criança foi exposta e dever ser monitorada no ambulatório de seguimento do bebê de risco para definir o diagnóstico e identificar possíveis sintomas em decorrência da sífilis congênita”, explicou Ylara Costa.

No que se refere à sífilis congênita, quando a mãe transmite a infecção para o bebê na gestação ou durante o parto, Manaus registra uma média anual de 350 casos.

No treinamento, houve a abordagem com os médicos sobre o panorama epidemiológico da sífilis em Manaus, o manejo clínico da sífilis em gestantes, e manejo da criança exposta e com sífilis congênita.

De acordo com Ylara Costa, o treinamento dos pediatras também é uma forma de alinhar o trabalho técnico-assistencial quanto a diagnóstico, seguimento, monitoramento e contrarreferência, conforme protocolos do Ministério da Saúde e normativas municipais.

“O alinhamento vai garantir um cuidado oportuno, resolutivo e alinhado às diretrizes vigentes. A proposta é garantir o acompanhamento longitudinal da criança exposta, com o objetivo de possibilitar a identificação precoce de eventual evolução para sífilis congênita”, explicou Ylara Costa.

Nos casos em que a criança já apresenta diagnóstico de sífilis congênita, a enfermeira aponta que os sinais e sintomas podem ocorrer tardiamente, inclusive após os dois anos de vida. Entre as possíveis complicações, incluem-se alterações ósseas, perda visual, perda auditiva e comprometimento do desenvolvimento neuropsicomotor.

“O acompanhamento dessas crianças é essencial para reduzir o risco de desfechos evitáveis e de sequelas que possam comprometer a saúde ao longo do curso de vida, inclusive na fase adulta”, alertou Ylara Costa.

Infecção

A sífilis é uma IST causada pela bactéria Treponema pallidum e é transmitida por relação sexual sem uso de camisinha. Em 2026, Manaus já registrou 664 casos de sífilis adquirida, que é notificada quando o paciente tem idade superior a 13 anos, excluindo gestantes. Houve ainda o registro de 447 casos de sífilis em gestante e 66 de sífilis congênita.

A sífilis pode ser prevenida com o uso de preservativos na relação sexual, e que são disponibilizados de forma gratuita nas unidades de saúde da rede municipal, que ainda oferece o tratamento da infecção. A sífilis congênita também tem prevenção, caso a gestante inicie e conclua o tratamento durante o pré-natal de forma adequada.

“No pré-natal, os profissionais de saúde oferecem testes rápidos para identificar ISTs. Com o tratamento em tempo oportuno, é possível evitar a transmissão da gestante para o bebê”, concluiu Ylara Costa.

 

 

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