A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), promoveu, na quinta-feira, 19/3, no Complexo de Saúde Oeste, bairro da Paz (zona Oeste), um treinamento sobre o uso do autoteste de HIV, tendo como público-alvo representantes de Organizações da Sociedade Civil (OSCs).
De acordo com a chefe do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e Hepatites Virais da Semsa, assistente social Thayná da Silva, o treinamento faz parte do planejamento para ampliar cada vez mais o acesso da população à testagem e diagnóstico precoce do HIV/Aids, e as OSCs poderão multiplicar as informações junto à população.
“Desde o ano passado, já realizamos três treinamentos direcionados para as OSCs, destacando o uso do autoteste como uma estratégia que permite que populações vulneráveis ou com dificuldades de acesso à saúde realizem o diagnóstico de forma confidencial, autônoma, precoce e segura. A pessoa não precisa fazer o teste na unidade de saúde. Ela pode levar para fazer em casa ou em locais que considere mais confortáveis”, destacou Thayná Silva.
Na rede municipal, o autoteste para HIV é dispensado em oito unidades de saúde que realizam o manejo clínico de pessoas vivendo com HIV/Aids e em quatro Serviços de Atenção Especializada (SAE) em HIV/Aids. No ano passado, foram distribuídos 7.467 autotestes.
“Com o autoteste, a pessoa coleta a própria amostra, que pode ser de fluido oral ou coleta de sangue por punção digital, dependendo do tipo de teste. Ela realiza o teste e pode interpretar o resultado em até 30 minutos. Em caso positivo, a orientação é que procure uma unidade de saúde para realizar testes complementares. Quanto mais rápido for o diagnóstico e o início do tratamento, menor o risco de complicações e maiores as chances de o paciente manter uma boa qualidade de vida”, afirmou Thayná Silva.
O autoteste, informa Thayná Silva, tem como público-alvo pessoas em contexto de maior risco para a transmissão do HIV, como aquelas que não utilizam preservativos nas relações sexuais, com múltiplos parceiros sexuais, e pares de usuários da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP).
“A dispensação do autoteste é feita em livre demanda, inclusive em ações extramuros, fora das unidades de saúde, como nas ações de prevenção às ISTs realizadas no período de Carnaval, no sambódromo”, explicou Thayná.
Em 2025, Manaus registrou 1.561 casos novos de HIV e 521 casos de Aids, que é a doença causada pelo HIV em estágio avançado. Este ano, o município já registrou 117 casos de HIV e 17 de Aids.
A diretora de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador (Dvae/Semsa), enfermeira Marinélia Ferreira, destaca que a Semsa conta com serviços de prevenção e controle do HIV/Aids.
“O uso do preservativo é essencial na prevenção do HIV/Aids e outras ISTs, e são distribuídos gratuitamente em todas as unidades de saúde da rede municipal”, garantiu Marinélia Ferreira.
A Semsa mantém 15 unidades de saúde com a oferta de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), que consiste na tomada diária de medicação específica e que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV.
Também existem 11 unidades de saúde com oferta da Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que representa uma medida de prevenção de urgência, com uso de medicamentos, para reduzir o risco de infecção pelo HIV no caso de uma possível exposição ao vírus durante a relação sexual.
“A rede municipal conta com 200 unidades de saúde com a oferta do teste rápido para o HIV, que é realizado a partir da coleta de sangue retirada da ponta do dedo do paciente e o resultado é obtido em 30 minutos”, informou a diretora.
A estratégia da oferta de teste rápido, apontou Marinélia Ferreira, fortalece a rede de diagnóstico precoce e tratamento em tempo oportuno. “Mesmo não tendo cura ainda, a infecção pelo HIV tem tratamento, que é muito eficaz quando há o diagnóstico precoce, minimizando os riscos de complicações e morte por Aids. Com o tratamento adequado e o controle da carga viral no organismo, a pessoa também deixa de transmitir a doença”, concluiu Marinélia Ferreira.
O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) tem transmissão por relações sexuais sem uso de preservativo, podendo ser transmitido também da gestante para o bebê na gestação, parto ou amamentação. O vírus ataca o sistema imunológico e sem tratamento pode evoluir para a Aids, que é o estágio avançado da infecção.
Também pode ser transmitido pelo compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas ou outros objetos perfurocortantes, e pela transfusão de sangue contaminado.





