Justiça determina bloqueio de R$ 1,8 milhão da Editora Globo, após pedido da Samel

Foi feito o pedido da prisão da lacradora blogueira Manu Gaspar e do Diretor da Editora Globo

O juiz Manuel Amaro de Lima, da 3ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho de Manaus, determinou na última quarta-feira (2) o bloqueio de R$ 1,8 milhão da Editora Globo, em resposta a um pedido da rede de hospitais Samel. Além disso o site do jornal O Globo foi obrigado a republicar direito de resposta concedido à empresa em outubro, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

A ação faz parte de um processo judicial que a Samel move contra O GLOBO, que a partir de abril de 2021 publicou no blog da colunista Malu Gaspar uma série de reportagens sobre a participação da rede hospitalar na pesquisa do medicamento Proxalutamida, para o tratamento da covid-19.

A Samel argumentou na Justiça que O GLOBO estava descumprindo a decisão do juiz da 3ª Vara Cível e de Acidentes do Trabalho e pediu não só a publicação do direito de resposta a novas reportagens, mas também a aplicação de multa com bloqueio de recursos da Editora Globo. Também foi pedida a prisão do diretor de Redação do jornal, Alan Gripp, e da colunista Malu Gaspar, assim como a apreensão do passaporte e da carteira de habilitação dos jornalistas, mas não foi atendido.

Em sua decisão o juiz, diz que a prisão poderia ser adotada como “última alternativa”. Mas ainda assim disse que, em caso de novo “descumprimento” de sua decisão, “qualquer determinação nesse sentido não poderá ser entendida como decisão surpresa ou passível de qualquer alegação de desarrazoabilidade”.

Esta é a quarta medida obtida pelo dono do grupo Samel, Luis Alberto Nicolau, contra O GLOBO. Em agosto, o juiz Amaro de Lima determinou a retirada de três reportagens sobre o caso do site do jornal. Depois, em outubro, o mesmo juiz determinou a retirada de todas as matérias sobre as suspeitas entorno da proxalutamida e a publicação de um direito de resposta no site do jornal. O direito de resposta foi publicado na íntegra no blog, mesmo espaço em que as reportagens foram veiculadas.

O GLOBO também teve que apagar os textos e foi proibido de publicar qualquer outro material que associasse o nome ou trouxesse fotos relativas à rede de saúde privada à proxalutamida.

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