Empresas de navegação alertam para ameaças de garimpeiros no Rio Madeira  

Garimpeiros no Rio Madeira (CRED: Greenpeace)

Além das ações dos piratas que dominam e aterrorizam os rios do Amazonas, as empresas de transporte de cargas do estado estão enfrentando mais uma ameaça para manter o abastecimento de Manaus, e dos municípios do interior, com produtos como alimentos e combustível: os garimpeiros ilegais que ocupam principalmente a bacia do Rio Madeira, no sul do estado.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma), após a operação realizada pela Polícia Federal no último dia 12 na região e que resultou na inutilização de balsas e equipamentos usados para dragar o rio, grupos de garimpeiros passaram a ameaçar diretamente – e em redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens – a segurança das embarcações regulares que fazem as rotas para os municípios do Madeira, e também entre Porto Velho (RO) e Manaus em represália.

Rumors of recently found gold near the Rosarinho community, in Autazes, Amazonas state, had dozens of gold mining rafts and tugger boats coming down the Madeira river searching for the mineral and profit. All the commotion and organization are proof of the gold miners rule over the Madeira river, coming and going as they wish, searching for gold. Autazes is just over 100 km from the capital Manaus, but the authorities take too long before taking action and restraining this environmental crime.
Boatos de descoberta de ouro nas proximidades da comunidade de Rosarinho, em Autazes, no Amazonas, fez com que dezenas de balsas e empurradores descessem o rio Madeira rumo àquela localidade em busca do minério. A movimentação atípica chamou a atenção da população e mostrou o domínio dos garimpeiros sobre o rio Madeira, que circulam por ali sem medo e sem serem incomodados em busca do minério. Autazes fica a pouco mais de 100 quilômetros de Manaus e, apesar disso, as autoridades demoram a tomar providências para coibir a ocorrência desse crime ambiental.

Diante da insegurança para manter as atividades e dos riscos para a vida dos tripulantes, das populações ribeirinhas e de um grave acidente, o vice-presidente da entidade, Madson Nóbrega afirmou que o Sindarma irá encaminhar aos órgãos de segurança estaduais e federais solicitação para reforço imediato da fiscalização e vigilância.

“É mais um problema grave e urgente que temos que enfrentar diariamente porque as ameaças estão cada vez mais constantes e além das vidas envolvidas, ainda há o risco de um acidente ambiental irreversível de grandes proporções caso eles resolvam atacar uma embarcação com milhões de litros de combustível, como já ameaçaram repetidas vezes”, alertou Nóbrega.

O dirigente do Sindarma acrescentou que teme que se repitam nos rios do Amazonas, o que aconteceu na BR-319, logo depois da operação policial, quando garimpeiros atearam fogos em pneus e fecharam o acesso da ponte que liga o Amazonas a Rondônia, na entrada de Porto Velho.

“Eles já estão fechando trechos importantes do rio com paredões de balsas e dificultando a passagem das embarcações, inclusive ameaçando os tripulantes com armas. As empresas de navegação estão fazendo sua parte para manter o abastecimento e o transporte de cargas, mas o cenário tende a se agravar ainda mais e comprometer a segurança de todo o Madeira”.

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