Denúncias apontam que o Grupo Leo Dias estaria no centro de uma engrenagem de influência paga que envolve desde a desestabilização de instituições financeiras até a promoção de gestores públicos com verba oculta.
Da Redação 10 de Janeiro de 2026
O mercado de influência digital no Brasil vive uma semana de tremores que cruzam a fronteira entre o entretenimento e o crime financeiro. De um lado, uma investigação do jornal O Globo revela um esquema de ataques coordenados contra o Banco Central (BC). Do outro, o chamado “Dossiê Ponta Negra” expõe como o silêncio e o elogio editorial podem custar cifras milionárias aos cofres públicos municipais, como no caso da Prefeitura de Manaus.
A Milícia Digital contra o Banco Central
Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, o administrador do Grupo Leo Dias é suspeito de contratar influenciadores para uma ofensiva coordenada contra o Banco Central. O objetivo seria minar a credibilidade da instituição e de seus diretores através de posts encomendados, simulando uma indignação “espontânea” da rede.
O caso é tratado com gravidade por especialistas, pois a manipulação da opinião pública sobre a autoridade monetária pode configurar crime contra o sistema financeiro. Até o momento, o jornalista Leo Dias, seu sócio e o administrador do grupo não foram localizados para comentar as graves acusações de intermediação desses “ataques pagos”.
O “Modus Operandi” em Manaus: Ouro e Silêncio
Enquanto em Brasília o foco é o ataque, em Manaus a estratégia parece ser a blindagem. O colunista, que em entrevista recente ao Tá Benito Podcast admitiu faturar R$ 600 mil mensais e cobrar até R$ 30 mil por uma sequência de stories, tornou-se peça central na propaganda política do prefeito David Almeida.
Durante o Réveillon na Ponta Negra, Leo Dias deixou de lado o faro jornalístico para atuar como uma extensão da Secretaria de Comunicação (Semcom). O que se viu foi uma cobertura “chapa branca”, com entrevistas laudatórias e exaltação da gestão, financiadas por contratos que sofrem com a falta de transparência no Portal da Transparência da capital amazonense.
Os pontos de conexão entre os casos:
Publicidade oculta: Em ambos os cenários, a fronteira entre opinião jornalística e conteúdo pago é ignorada, ferindo o Código de Ética dos Jornalistas e as normas do CONAR.
Triangulação de verbas: O uso de agências intermediárias para mascarar o destino final do dinheiro público ou de grupos privados.
Monetização do silêncio: A suspeita de que valores são pagos não apenas para falar bem, mas para “abafar” notícias negativas que poderiam prejudicar contratantes.
A “Caixa-Preta” e o silêncio dos envolvidos
O padrão de silêncio se repete. Assim como na reportagem d’O Globo, onde os administradores do grupo não responderam aos contatos, a Prefeitura de Manaus e a Semcom mantêm sob sigilo os valores exatos dos cachês pagos ao jornalista para os eventos de 2025 e 2026.
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) já tentou, sem sucesso, derrubar o sigilo desses contratos, que saltaram de R$ 2 milhões para mais de R$ 25 milhões em gastos com eventos nos últimos três anos.
O cenário que se desenha é de uma estrutura de mídia que transformou o “furo” e a “influência” em moeda de troca política e financeira, colocando em xeque a integridade da informação que chega ao cidadão comum, seja ela sobre a economia do país ou sobre a gestão da sua cidade.
Nota de Redação: O espaço permanece aberto para que o jornalista Leo Dias, o Grupo Leo Dias e a Prefeitura de Manaus apresentem suas contraprovas ou esclarecimentos sobre os fatos narrados.





