Por Redação | 20 de Fevereiro de 2026: O luto por um filho é, por definição, uma dor indescritível. Para a primeira-dama de Manaus, Izabelle Fontenelle, essa dor ganhou camadas ainda mais cruéis: o julgamento público.
Em um desabafo contundente publicado em suas redes sociais nesta sexta-feira (20), Izabelle quebrou o silêncio sobre as críticas que vem recebendo após a perda de seu filho, David Benedito, falecido em janeiro com apenas 20 dias de vida.
O texto de Izabelle não é apenas uma defesa pessoal; é o eco de um fenômeno que atinge milhares de brasileiras todos os anos. Ao afirmar que “é surreal ver pessoas opinando sobre o que não sabem”, ela aponta o dedo para a cultura da “maternidade ideal”, onde qualquer desfecho trágico é rapidamente convertido em uma busca por culpados, quase sempre focada na figura da mãe.
A Luta contra a versão única
No centro do desabafo, Izabelle rebate narrativas que sugerem negligência. Ela enfatiza que sua conduta foi pautada pela obediência às orientações médicas. “Eu fiz o melhor que pude em todas as circunstâncias”, escreveu.
A fala da primeira-dama toca em um ponto sensível da saúde pública e da ética: a vulnerabilidade da mãe diante do sistema médico. Quando algo não sai como esperado, a transferência de culpa para a mulher — que muitas vezes está operando sob exaustão e choque — é um mecanismo comum de defesa institucional ou social.
O espelho de milhares de Mães
A história de Izabelle, embora amplificada pelos holofotes da vida pública, é a história de muitas outras. Segundo dados de saúde, o luto perinatal ainda é um tabu no Brasil.
O isolamento: Muitas mães relatam que, após a perda, sentem-se “invisíveis” ou evitadas por amigos e familiares.
O tribunal digital: Com as redes sociais, o luto torna-se uma vitrine para o “palpismo” cruel, onde estranhos se sentem no direito de analisar protocolos médicos e escolhas pessoais sem nunca terem pisado no hospital em questão.
O caminho da superação
Especialistas em psicologia do luto afirmam que a fala de Izabelle é um passo importante para a própria cura. Ao dizer “não é justo permanecer em silêncio”, ela retoma a narrativa de sua própria história, transformando a vítima da tragédia em uma voz ativa.
A superação, nestes casos, não significa esquecer, mas sim ressignificar. Para as milhares de mães que perdem seus filhos precocemente, a luta de Izabelle para validar seu amor e sua dedicação serve como um lembrete de que a dignidade da mãe não termina com a partida do filho.
“Há dores que já são pesadas demais para ainda precisarem suportar julgamentos”, concluiu a primeira-dama.
Que sua fala sirva não apenas como um esclarecimento, mas como um pedido de humanidade para todas aquelas que, em silêncio, tentam reconstruir a vida após o maior dos vazios.






