Wilson Lima no Senado? O que dizem os números da Quaest de Março – Por Ronaldo Aleixo

Qualquer candidatura majoritária de quem está no poder é, antes de tudo, um referendo da sua gestão.

A política amazonense atravessa um momento de definições cruciais. Recentemente, o governador Wilson Lima declarou a sua intenção de permanecer à frente do Executivo Estadual, afastando, por ora, a ideia de uma renúncia para disputar uma cadeira no Senado Federal. Contudo, no tabuleiro eleitoral, o cenário é dinâmico e os números da pesquisa Quæst de março de 2026 (Registro BR-02944/2026) revelam que, se o governador optar pela mudança de rota antes do prazo final de desincompatibilização, ele entra no jogo com um capital político significativo, mas também com desafios evidentes.

A Força da Gestão como ativo eleitoral

Qualquer candidatura majoritária de quem está no poder é, antes de tudo, um referendo da sua gestão. Os dados da Quæst mostram que Wilson Lima possui um “piso” de apoio resiliente: 42% dos eleitores aprovam o trabalho que o governo estadual vem realizando.

Ao detalharmos esse apoio, percebemos que a viabilidade de uma candidatura ao Senado encontraria solo fértil em segmentos específicos:

Eleitorado Feminino: A aprovação entre as mulheres é de 44%, superando a média geral.

Melhor Idade: O governador atinge o seu auge de popularidade entre eleitores com 60 anos ou mais, onde a aprovação chega a 49%.

Estabilidade: Nas faixas etárias de 16 a 59 anos, a aprovação mantém-se estável entre 40% e 41%.

Os obstáculos no caminho

Por outro lado, a desaprovação de 53% é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. Esta resistência é mais acentuada entre os homens (57%) e nas gerações mais jovens e produtivas (56% entre eleitores de 16 a 59 anos). Para o Senado — uma eleição que em 2026 terá duas vagas em disputa — a estratégia de Wilson Lima precisaria focar na conversão da sua base de aprovação em votos diretos, tentando mitigar a rejeição nos grandes centros urbanos e entre o público masculino.

O Dilema do Senado: Vem ou não vem?

A pesquisa Quæst não se limitou a medir a popularidade; ela avaliou o potencial de voto e a rejeição das lideranças, servindo como um mapa para o Senado. O fato de o governador figurar nestes cenários indica que ele é, indiscutivelmente, um protagonista do processo eleitoral.

Se Wilson Lima decidir concorrer, ele terá a seu favor a estrutura da máquina estadual e um apoio consolidado de quase metade da população. O risco político reside na perceção do eleitor sobre a interrupção do mandato: a pesquisa indica que a continuidade é valorizada e uma saída prematura poderia desgastar a imagem de compromisso que ele tenta consolidar.

Os próximos 15 dias serão decisivos. Os números da Quæst mostram que Wilson Lima tem fôlego para a disputa; ele possui um eleitorado fiel e nichos de aprovação muito claros. A dúvida que paira no ar de Manaus ao interior não é apenas se ele “pode” ser candidato — os números dizem que sim — mas se a estratégia política compensará o risco de deixar o comando do Estado. Uma coisa é certa: com 42% de aprovação, qualquer movimento do governador altera o equilíbrio de forças de toda a eleição.

 

Dados Técnicos: Pesquisa Quæst realizada entre 05 e 11 de março de 2026, com 1.500 entrevistas face a face. Margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registro TSE: BR-02944/2026.

 

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