É fascinante observar como o mundo dá voltas — ou, no caso de João Gordo, como ele trava em um raio-X de aeroporto. O paladino da democracia, o crítico feroz da “necropolítica” e o homem que votaria até no próprio cachorro para salvar o Brasil do “obscurantismo”, parece ter sido traído por algo muito mais terreno do que a ascensão do “pseudoneofascismo”: um isqueiro e cinco gramas de haxixe.
É poético, não acham? O artista que passou os últimos anos destilando versos contra o “genocida depravado” e o “mentiroso imoral”, agora se vê assinando um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) enquanto tentava voltar para a sua bolha em São Paulo.
A Lógica do “Puro Amor”
Para a esquerda caviar e os punks de boutique, a narrativa já está pronta:
- Se fosse um cidadão comum: “Lei é lei, tem que seguir as regras do aeroporto.”
- Sendo o João Gordo: “É perseguição sistêmica! É o aparato do Estado oprimindo a arte livre e o voto no 13!”
Enquanto o álbum Necropolítica narra os horrores de um país em queda, João parece ter esquecido de narrar em suas letras a regra básica de segurança da aviação civil. Talvez ele estivesse tão ocupado combatendo o “neonazismo” imaginário em cada esquina que não sobrou tempo para conferir se havia um isqueiro proibido (e umas coisinhas a mais) na mala de mão.
O Verdadeiro “Perigo Eminente”
Ele disse à Splash que não é “lacrador”, que apenas “narra o que sente e vive ao redor”. Pois bem, a narrativa deste domingo foi bem específica: a sensação térmica de ser detido pela Polícia Federal em Confins.
Não deixa de ser irônico que o crítico do “especialista em matar” tenha sido pego justamente por carregar algo que, em teoria, ele defende como símbolo de liberdade, mas que a lei — aquela mesma que ele quer que se aplique rigidamente aos seus adversários políticos — ainda considera infração.
No fim das contas, João Gordo provou uma coisa: o Brasil realmente não é para amadores. Você pode passar anos xingando o governo, fazendo discos conceituais sobre o fim do mundo e pregando o voto no Lula como a salvação da alma… e ainda assim ser derrotado por um raio-X de aeroporto.
A “obscuridade” que ele tanto temia parece ter se manifestado de uma forma bem literal: dentro de uma sala da PF, assinando papelada por causa de um baseado.
Fonte: G1.





