Evento reúne gestores e especialistas, promovendo a integração entre ciência, prática clínica e gestão pública em saúde
Os avanços na organização do Sistema Único de Saúde (SUS) na região amazônica foram destaque na abertura do 2º Simpósio Amazonense de Neurotrauma, realizado no Complexo Hospitalar Leste, em Manaus. O evento ocorre sexta-feira e sábado (24 e 25/04) e reúne mais de 300 profissionais, gestores e especialistas para discutir avanços, desafios e perspectivas no atendimento ao neurotrauma, promovendo a integração entre ciência, prática clínica e gestão pública em saúde.
A abertura do evento foi conduzida pela secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, que destacou que fatores como períodos de cheia e seca, grandes distâncias geográficas e a diversidade territorial exigem planejamento diferenciado e soluções inovadoras para garantir o acesso da população aos serviços de saúde.
“Fazer saúde na Amazônia exige sensibilidade para compreender as realidades locais e, ao mesmo tempo, capacidade de inovar na gestão. Nosso desafio é garantir que o cuidado chegue a todos, independentemente da distância”, afirmou a secretária.
Durante a apresentação, a gestora ressaltou que o Amazonas possui mais de 600 estabelecimentos de saúde distribuídos nos 62 municípios, sendo o único estado do país em que todos contam com unidades hospitalares. Também destacou o papel estratégico da logística na assistência, com ênfase no serviço de UTI aérea, responsável pelo transporte de pacientes do interior para a capital em casos de maior complexidade, incluindo os de neurotrauma.
Outro ponto abordado foi o impacto dos acidentes de trânsito na rede hospitalar, que representam cerca de 30% dos atendimentos no Complexo Hospitalar Leste, reforçando a necessidade de ações integradas de prevenção e organização da assistência.
A ampliação da telessaúde também foi apresentada como uma das iniciativas do Governo do Amazonas que têm contribuído para reduzir distâncias e o tempo de espera por consultas especializadas no interior do estado. Atualmente, o serviço disponibiliza 18 especialidades para a população, incluindo neurologia para adultos e crianças.
Entre os avanços tecnológicos implementados pela SES-AM, destaca-se o sistema “Saúde AM em Tempo Real”, que permite o monitoramento dos atendimentos nas unidades, contribuindo para a organização da rede e a tomada de decisão em tempo real.
O neurocirurgião e representante da Academia Brasileira de Neurocirurgia, Robson Amorim, destacou a importância da integração entre ensino, assistência e pesquisa para o fortalecimento do sistema de saúde para o Estado. “A gente precisa integrar ensino, assistência e pesquisa. Quem conhece os problemas da nossa população somos nós, e é a partir dessa realidade que conseguimos construir soluções mais eficazes e direcionadas”, afirmou.
Para a acadêmica de medicina e participante do evento, Mariana Brandão, de 25 anos, a iniciativa contribui diretamente para a formação profissional e a qualificação da assistência. “É uma oportunidade única de aprendizado. Estar em contato com especialistas e discutir a realidade do Amazonas amplia nossa visão sobre o cuidado em saúde e nos prepara melhor para atuar no nosso estado”, destacou.
A programação inclui palestras, mesas-redondas e debates voltados à qualificação da assistência, à troca de experiências e ao fortalecimento da integração entre ciência, prática clínica e gestão pública em saúde.
Participaram da abertura do simpósio, ainda, a diretora do Capítulo Amazonense de Neurocirurgia, Cecília Grangeiro; o médico intensivista e professor, Jorge Paranhos; a reitora da Universidade Federal do Amazonas, Tanara Lauschner; o secretário municipal de Saúde de Autazes, Rainer Figueiredo; e a diretora-geral do Complexo Hospitalar Leste, Vera Moreira.
Fotos: Evandro Seixas / SES-AM





