O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Manaus nesta semana para entregar as chaves de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida no bairro Tarumã-Açu. Até aí, a agenda clássica do palanque político correu como o esperado. O problema foi quando o chefe do Executivo resolveu subir o tom do sermão moralista contra a Inteligência Artificial e a “falta de maturidade” do eleitor que acredita em tudo o que vê no celular.
Em seu discurso para o público amazonense, Lula alertou, com ar de preocupação cívica, que a IA “não presta para eleição” porque serve apenas para “contar muita mentira através do telefone”. O presidente pediu “muita responsabilidade” ao povo.
O sermão seria belo e comovente se não fosse por um “pequeno” detalhe que transformou a pregação em piada pronta nas redes sociais: enquanto o presidente criticava os males da manipulação digital, aliados e lideranças do seu próprio partido compartilhavam uma imagem grotesca gerada por Inteligência Artificial.
Na imagem que viralizou e virou meme instantâneo, Lula aparece ostentando um físico de fisiculturista, com costas hipertrofiadas dignas de um atleta de alta performance. E o detalhe mais bizarro que escancarou a farsa algorítmica: o presidente foi retratado com dez dedos nas mãos, ignorando a sua mais famosa característica física.

A Hipocrisia Tecnológica no Palanque
É o sujo falando do mal lavado. O governo e sua base aliada adoram criar discursos inflamados sobre a regulamentação das redes sociais, o combate às fake news e os perigos da IA na desvirtuação da realidade. No entanto, quando a mesma tecnologia é usada para inflar o ego do líder, criar narrativas heróicas caricatas ou engajar a militância no WhatsApp e no Instagram, a IA deixa de ser um “perigo para a democracia” e vira apenas “humor e marketing”.
Exigir “maturidade e seriedade” do eleitor humilde que recebe o benefício da moradia é fácil. Difícil é ver essa mesma seriedade nas equipes de comunicação e nas lideranças políticas que preferem governar no mundo da fantasia dos pixels manipulados.
O cidadão que estava lá no Tarumã-Açu precisa de teto, saneamento e emprego na realidade nua e crua — e não de um “Super-Lula” de inteligência artificial governando o país pelo feed do Instagram.
O Brasil real não tem filtros, não tem 10 dedos e muito menos o físico blindado que a propaganda oficial tenta vender. Está na hora de descer do palanque virtual e encarar os fatos como eles são. O Chumbo é Grosso!





