A maré definitivamente não está para peixe — e muito menos para calmaria — no front político do senador Eduardo Braga (MDB). Em uma sequência digna de um autêntico “inferno astral”, o cacique emedebista se vê cercado por crises que vão do desastre ambiental nos bastidores empresariais à mais pura e ruidosa insurgência partidária nas ruas de Manaus.
O Gás que Azedou o Distrito
Para começar, a calmaria de Braga foi sufocada pelo forte odor de gás que parou o Distrito Industrial e assustou a capital amazonense. O vazamento, que gerou pânico e mobilizou autoridades, colocou os holofotes diretamente sobre uma empresa ligada ao seu ex-suplente. Para um político que tenta manter a imagem de controle absoluto, ver o nome de antigos aliados de primeira hora envolvidos em um episódio de tamanha negligência ambiental e social é o tipo de fumaça que ele menos precisava para turvar seu horizonte.
Ramos Bate o Pé e Peita o Gabinete
Se o ar já estava pesado, a temperatura política terminou de atingir o ponto de ebulição. Se nos gabinetes refrigerados de Brasília a cúpula nacional do PT e o senador Eduardo Braga achavam que iriam rifar a candidatura de Marcelo Ramos ao Senado sem ouvir protestos, quebraram a cara. Em um claro e ruidoso sinal de desafio, Ramos decidiu pagar para ver: manteve sua agenda de rua, confirmou a realização de uma grande plenária com a militância e mandou o recado definitivo de que não aceitará o tapetão político de joelhos.
A resposta do ex-deputado federal vem no momento mais tenso da disputa. Logo após vir a público desmascarar a narrativa conveniente plantada por Braga — que tentou emplacar a fake news de que Ramos abriria mão do Senado pacificamente para ser “coordenador da campanha de Lula” —, o pré-candidato esquentou os tambores. Em vídeo gravado durante plenária lotada no Sindipetro-AM, Ramos vestiu literalmente a camisa e subiu o tom, lembrando que um partido como o PT não tem o direito de deixar o eleitorado progressista sem opção na urna.
“Isso não tem a ver com ganhar ou perder, isso tem a ver com responsabilidade histórica”, disparou Ramos, deixando claro que sua candidatura agora é um movimento coletivo e que ele não tem o direito de recuar para inflar o favoritismo que Braga tenta impor na marra.
O Povo Contra o Gabinete
Nos bastidores da esquerda manauara, o clima é de revolta generalizada com o pragmatismo da Executiva Nacional, que tenta empurrar goela abaixo do eleitor uma chapa “capada”, obrigando o eleitorado a votar exclusivamente em Braga ou anular seu segundo voto na urna. Retirar uma candidatura competitiva sob a desculpa de “não dividir votos” é subestimar a inteligência do povo. Mais do que isso, Ramos se coloca como o único com estofo e coragem para fazer a defesa real do legado do presidente Lula no palanque local, algo que o MDB fisiológico historicamente evita fazer com firmeza.
Se a intenção de Eduardo Braga era isolar Marcelo Ramos para pavimentar sua reeleição sem sustos enquanto lida com os esqueletos ambientais de seus aliados, o tiro saiu pela culatra. Entre o gás que vazou no Distrito e o fogo que Ramos ateou na militância, Braga vai descobrindo que o eleitorado do Amazonas não aceita cabresto de quem quer que seja.
O tabuleiro está montado, as pedras estão se movendo e o Chumbo Grosso segue acompanhando de perto. Quem viver, verá!





