Quem acompanhou a ascensão política do vereador Sargento Salazar em Manaus lembra bem do roteiro: vídeos inflamados, peito estufado, tom intimidador e um vocabulário recheado de adjetivos depreciativos contra qualquer um que ousasse discordar dele.
Naquele cenário, o parlamentar se vendia como o “destemido”, aquele que não devia nada a ninguém e que desafiava o sistema “de peito aberto”.
No entanto, bastou a imprensa cumprir seu papel constitucional e expor o uso de verba parlamentar para o custeio de escritório de advocacia — cobrindo, inclusive, demandas pessoais e anteriores ao mandato —, para a bravata cair por terra.
A reação ao escrutínio público revelou uma mudança drástica de postura: o discurso do “corajoso” deu lugar ao recurso desesperado a ações judiciais. Quem costumava vociferar contra portais e opositores agora tenta usar a estrutura do Judiciário para silenciar o Portal Chumbo Grosso e conter a veiculação de dados que deveriam ser transparentes.
Essa contradição expõe a fragilidade da retórica antissistema:
- Nas redes sociais: O personagem “brabo”, inconsequente com as palavras e agressivo na oratória.
- Diante da fiscalização: A busca por proteção judicial para tentar barrar a exposição de gastos com dinheiro público.
Tentar intimidar a imprensa por meio do acionamento ostensivo da Justiça não apaga os fatos e tampouco apaga o histórico do Portal da Transparência. O eleitor de Manaus não busca um parlamentar que só é firme quando está com a câmera do celular ligada na própria rede social. Exige-se coerência. - A imprensa cumpre o seu papel ao fiscalizar como o dinheiro do contribuinte está sendo gasto. Tentar calar o Chumbo Grosso sob o pretexto de “perseguição” não passa de uma tentativa frustrada de esconder a incoerência entre o que se prega na internet e o que se faz no exercício do mandato.
Quando este Portal posta fatos a favor dele, ele fica caladinho.
Texto: Ronaldo Aleixo.





