Nesta semana, o país ficou agitado com as mensagens que vieram à tona envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro. Em meio à repercussão do caso, iniciou-se no Senado um movimento pela abertura de processos de impeachment contra o ministro. Fontes, porém, apontam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem demonstrado resistência em dar prosseguimento à pauta.
Segundo relatos de bastidores, Alcolumbre teria deixado clara sua posição durante conversas reservadas. De acordo com essas fontes, ao ser pressionado sobre a possibilidade de colocar pedidos de impeachment contra ministros do STF em votação, o presidente do Senado teria sido direto: “Só aceito se for de Mendonça, Moraes de jeito nenhum.”
A declaração evidencia o grau de resistência de Alcolumbre em relação a um eventual processo contra Alexandre de Moraes, justamente em um momento de forte pressão de parlamentares da oposição, que defendem uma reação do Congresso às decisões e à atuação de integrantes da Suprema Corte.
Na terça-feira (1º), pressionado por jornalistas sobre os novos pedidos de impeachment contra Moraes, Alcolumbre evitou indicar qual será sua decisão. O presidente do Senado afirmou que o número de requerimentos contra ministros do Supremo é elevado e classificou a situação como fora da normalidade.
“A decisão é que tem 109 pedidos. Eu não achei nada . Não devo achar nada. A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 pedidos de impeachment dos 10 ministros do STF”, afirmou.
A fala reforça a estratégia de Alcolumbre de não assumir, neste momento, o compromisso de pautar um eventual processo contra Moraes. A postura, contudo, pode aumentar a tensão com setores da oposição, que cobram do presidente do Senado uma atuação mais incisiva diante das controvérsias envolvendo o Supremo.
O contraste chama atenção porque, segundo os relatos, a resistência não seria absoluta. O nome de André Mendonça aparece como uma possível exceção. Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021, Mendonça ocupa uma das cadeiras da Corte desde então. O episódio coloca Alcolumbre no centro de uma disputa política que envolve, de um lado, parlamentares que pressionam pela análise dos pedidos de impeachment e, de outro, a cúpula do Senado, que demonstra cautela em abrir um confronto institucional com o Supremo.




