A VERDADE: Com 12 anos de concurso, Delegado João Tayah atuou pouco mais de quatro anos em delegacias, e só.

Recusa de transferência (2020): Ao ter sua remoção determinada pela Polícia Civil para atuar na comarca de São Paulo de Olivença, no interior do estado, o delegado recorreu ao Poder Judiciário para anular a portaria de remoção.

Manaus (AM), 13/09/2026 – O uso de títulos e credenciais públicas é um recurso frequente na comunicação política para construir credibilidade junto ao eleitorado. No entanto, quando as narrativas de campanha entram em choque com o histórico funcional do candidato, o rigor com os fatos se impõe. É o caso das publicações do candidato João Victor Tayah (PT), que adota o nome de propaganda “Delegado João Tayah” e veicula em seus canais oficiais mensagens como “20+ anos de experiência na segurança pública”.

O cruzamento das informações públicas da Polícia Civil do Estado do Amazonas com a trajetória do próprio candidato revela distorções significativas entre a imagem de “operador da segurança” e o seu histórico administrativo.

Duas décadas de segurança ou de serviço público geral?

A primeira inconsistência reside na contagem do tempo de atuação na segurança pública. O site oficial do candidato atribui ao seu currículo duas décadas dedicadas ao setor. Todavia, os registros oficiais apontam que João Tayah assumiu o cargo de Delegado de Polícia Civil em abril de 2014, somando cerca de 12 anos de vínculo com a instituição.

No período anterior, entre 2005 e 2013, ele atuou em funções diversas no setor público: foi servidor da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (SEMSA), do Ministério Público Estadual, do Tribunal Regional do Trabalho, do Tribunal Regional Federal e advogado dos Correios. Embora sejam vínculos na administração pública civil, nenhuma dessas funções integrava o sistema de segurança pública.

A disparidade foi admitida pelo próprio candidato em vídeo veiculado como direito de resposta determinado pela Justiça Eleitoral, no qual ele declara possuir “mais de uma década de serviços prestados à segurança pública amazonense” — corrigindo a métrica do seu portal de campanha.

Vínculo no papel x tempo real em delegacia

O tempo de atuação na Polícia Civil é de 12 anos apenas, no site oficial, ele afirma que são 20 anos. https://delegadotayah.com.br/

Para além da contagem dos anos de concurso, o histórico do candidato revela que o tempo efetivo de trabalho presencial em delegacias, conduzindo inquéritos e na rotina policial, corresponde a aproximadamente um terço de sua carreira (cerca de 4 a 5 anos somados). A maior parte do seu histórico funcional na instituição é marcada por afastamentos e atribuições externas:

  • Início nas delegacias (2014–2018): Atuou presencialmente na rotina policial no interior (Nhamundá) e na capital nos primeiros anos de carreira.
  • Ouvidoria (2019): Atuou como Ouvidor-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas, cargo de nomeação política e natureza administrativa.
  • Recusa de transferência (2020): Ao ter sua remoção determinada pela Polícia Civil para atuar na comarca de São Paulo de Olivença, no interior do estado, o delegado recorreu ao Poder Judiciário para anular a portaria de remoção.
  • Afastamentos eleitorais: Acumula licenças temporárias das funções operacionais para disputar seis pleitos consecutivos (2016, 2017, 2020, 2022, 2024 e 2026).
  • Mandato Classista: Encontra-se desincompatibilizado das atribuições operacionais da Polícia Civil para exercer a representação da Associação dos Delegados de Polícia do Amazonas (ADEPOL-AM).

Do ponto de vista jurídico, o mandato classista e as licenças eleitorais constituem direitos previstos em lei aos servidores públicos. No âmbito do debate eleitoral, contudo, os fatos mostram que o rótulo de “duas décadas de atuação na Polícia Civil” não encontra correspondência nos registros, visto que o candidato acumula 12 anos de vínculo de concurso, porém passou cerca de dois terços desse tempo afastado do cotidiano das delegacias para exercer funções sindicais, administrativas e campanhas eleitorais.

O outro lado

Em manifestações públicas e em vídeo veiculado por determinação judicial, o Delegado João Victor Tayah reforça que ingressou na Polícia Civil em 2014 por concurso público e que possui mais de uma década de dedicação à segurança pública do Amazonas. Ele enfatiza que a licença para o exercício de mandato classista na ADEPOL-AM é um direito garantido por lei, equiparado ao serviço público para todos os efeitos, e nega qualquer irregularidade em sua situação funcional.

Este portal de notícias mantém o espaço aberto para que o candidato ou sua assessoria jurídica enviem novos posicionamentos ou esclarecimentos adicionais, caso julguem necessário.

 

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