Cléia Branches aponta falta de estrutura e valorização entre profissionais que atuam nas escolas

A falta de estrutura, a sobrecarga e a ausência de políticas de valorização para profissionais que atuam diariamente nas escolas estão entre as questões que Cléia Branches pretende levar para o debate público durante sua campanha a deputada estadual pelo PSD Partido Social Democrático (PSD). Com mais de dez anos de atuação na área da Educação e à frente da Associação dos Servidores Administrativos da Educação do Amazonas (AVAMSEG), ela afirma que a realidade vivenciada dentro das unidades de ensino foi determinante para definir suas principais bandeiras.

Ao longo dos anos, Cléia tem acompanhado de perto a rotina dos trabalhadores da Educação, caminhando por escolas da capital e também visitando unidades no interior do Amazonas. Segundo ela, essa vivência permitiu observar não apenas as dificuldades enfrentadas pelos profissionais ao longo do tempo, mas também problemas que permanecem presentes na atualidade, em diferentes regiões do Estado.

Para Cléia, o debate sobre Educação não pode se limitar à relação entre professores e alunos. Merendeiras, vigias, auxiliares, profissionais administrativos, trabalhadores de serviços gerais e outras equipes também desempenham funções essenciais para o funcionamento das escolas, mas, segundo ela, ainda enfrentam problemas relacionados à estrutura, reconhecimento profissional e condições de trabalho.

“Ao longo da minha vivência com a Educação, percebi que existem profissionais fundamentais para o funcionamento das escolas, mas que muitas vezes permanecem invisíveis aos olhos do poder público e da sociedade. Foi aí que entendi que não bastava apenas reclamar dessa realidade. Era preciso ocupar espaços, lutar, representar e buscar mudanças concretas”, declara.

Entre os problemas
acompanhados pela candidata estão as condições de trabalho das merendeiras. Segundo Cléia, há cozinhas escolares sem climatização, o que submete as profissionais às altas temperaturas do Amazonas. Ela também relata ocorrências de acidentes de trabalho que, na avaliação dela, estão relacionadas à falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados.

As dificuldades, porém, também atingem os professores. Cléia cita situações de sobrecarga profissional, salas superlotadas e ambientes que, segundo ela, nem sempre oferecem condições adequadas para o desenvolvimento das atividades pedagógicas. Para a candidata, a discussão sobre infraestrutura e valorização profissional está diretamente relacionada à qualidade do ensino oferecido aos estudantes.

“Não existe educação de qualidade sem profissionais valorizados e sem condições dignas para trabalhar. A Educação é um trabalho coletivo. O professor é fundamental, mas ele não trabalha sozinho. Para que uma escola funcione bem, existe toda uma equipe por trás dela”, destaca.

Entre as propostas que pretende defender na Assembleia Legislativa do Amazonas está a revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos profissionais da Educação. A medida é apontada por Cléia como uma das primeiras pautas que pretende discutir caso seja eleita. Ela também defende a atualização do Estatuto do Magistério, com a participação dos trabalhadores nas discussões sobre mudanças na legislação.

A melhoria da infraestrutura das escolas também aparece entre as prioridades apresentadas pela candidata, principalmente a climatização das unidades. Cléia argumenta que, diante das altas temperaturas registradas no Amazonas, ambientes adequados para estudantes e trabalhadores devem ser tratados como uma necessidade. Ela também pretende defender políticas de formação continuada, melhorias no atendimento da junta médica e discutir a possibilidade de assistência e plano de saúde para profissionais da Educação que atuam nos municípios.

“Para mim, valorização precisa sair do discurso e chegar à escola. O profissional precisa sentir essa valorização no salário, na carreira, no ambiente de trabalho e no atendimento que recebe do poder público”, afirma.

Para Cléia, reconhecer o trabalho das equipes que atuam nas unidades de ensino significa também reconhecer que a Educação é construída diariamente por diferentes profissionais. Ela finaliza destacando que os trabalhadores não são invisíveis. E que a educação também acontece pelas mãos deles e precisa serem mais valorizados e cuidados.

Fotografias: Lucielly Bruce

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