28 anos se passaram de Sindicalista a Presidente: O longo silêncio de Lula e a conveniência política da escala 6×1. E com ele toda coja da esquerda.

Por Redação / Opinião: Na Assembleia Nacional Constituinte de 1987, a redução da jornada de trabalho figurava no topo das diretrizes do sindicalismo combativo do ABC paulista. Quando o texto final da Constituição foi promulgada em 1988, fixou-se a jornada semanal máxima em 44 horas — uma diminuição em relação às 48 horas anteriores, porém insuficiente para extinguir o regime de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.

Nas décadas seguintes, o grupo político derivado desse mesmo movimento sindical ocupou a Presidência da República em múltiplos mandatos (Lula de 2003 a 2010 e Dilma Rousseff de 2011 a 2016). Nesses períodos, a estratégia econômica priorizou a elevação do salário mínimo, a ampliação do crédito e a criação de empregos formais, enquanto propostas de alteração constitucional para a redução da jornada semanal ficaram em segundo plano no Congresso, sem que o Poder Executivo encampasse o fim da escala 6×1 como prioridade de reforma estrutural.

Durante os governos de oposição, a legislação trabalhista tomou rumos opostos à redução da jornada regulamentada, culminando na Reforma Trabalhista de 2017 no governo Michel Temer, que deu prevalência aos acordos coletivos sobre a legislação federal e manteve o teto constitucional das 44 horas.
A reaparição ostensiva da pauta no debate público nacional em ano eleitoral levanta questionamentos sobre as dinâmicas de conveniência política.

De um lado, a base governista reativa uma pauta histórica de apelo popular para mobilizar a classe trabalhadora; de outro, setores da oposição adaptam rapidamente seus discursos de aceno ao eleitorado às vésperas de votações decisivas no Congresso.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve impactos profundos na saúde do trabalhador, na produtividade e na reorganização dos custos do setor produtivo.

A utilização do tema como trunfo de campanha evidencia como pautas trabalhistas de alta relevância social correm o risco de serem instrumentalizadas ciclicamente como plataforma eleitoral.

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