No ambiente político, divergências e embates de ideias fazem parte da democracia. O que jamais pode ser tolerado — sob justificativa alguma — é a violência, o machismo e a intimidação física.
E é exatamente por isso que o silêncio da candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), ecoa de forma tão grave no episódio ocorrido nos bastidores do debate da TV Norte Amazonas.
Na ocasião, a deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campelo denunciou ter sido vítima de gestos explícitos de intimidação e simulação de degola praticados por Kidson Maia (PL), aliado político próximo de Sargento Salazar.
Diante de um ato brutal de violência política de gênero — onde uma mulher é ameaçada de corte no pescoço nos bastidores de um debate —, esperar-se-ia que qualquer liderança feminina, independentemente de partido ou lado na disputa eleitoral, viesse a público repudiar veementemente o ocorrido.
Afinal, a pauta da defesa da mulher e do combate à violência não pode ter lado partidário nem ideologia. Quando uma mulher é ameaçada, todas as mulheres são atacadas.
No entanto, até o momento, Maria do Carmo prefere o silêncio.
Nenhuma nota de repúdio, nenhum pedido de retratação por parte do seu correligionário, nenhuma palavra de solidariedade à vítima. O silêncio da candidata do PL não é apenas uma omissão política; é uma vista grossa inaceitável diante de uma atitude truculenta praticada por alguém do seu próprio arco de alianças.
O eleitorado amazonense tem o direito de saber: Maria do Carmo concorda com esse tipo de conduta dentro de seu grupo político? A bandeira da proteção à mulher só vale quando convém ao processo eleitoral?
Cobramos publicamente um posicionamento firme e transparente da candidata Maria do Carmo.
A omissão diante da violência contra a mulher não combina com quem pleiteia governar o Estado do Amazonas.
Chumbo Grosso Manaus





