O Brasil vive uma farsa institucional onde a lei só existe para alguns. Enquanto a caneta pesada do Supremo Tribunal Federal avança sem freios, ditando regras e confiscando passaportes, os bastidores do próprio judiciário exalam uma fumaça de privilégios que ninguém na praça dos Três Poderes parece ter a coragem de investigar.
Como aceitar que o país assista, em silêncio, a episódios grotescos que expõem e humilham nosso sistema de segurança, ao mesmo tempo em que ignora os escândalos que batem à porta do próprio Alexandre de Moraes?
As cifras milionárias que irrigaram o escritório de sua esposa, vindas de figuras como Daniel Vorcaro por serviços cuja prestação real é duramente questionada, não são um mero detalhe. São um escândalo moral e ético gritando no centro do poder.
Por que a OAB se finge de morta? Por que setores da imprensa preferem o papel de contorcionistas narrativos a cobrar explicações claras?
A resposta para a impunidade não está apenas na Suprema Corte, mas nas cadeiras aveludadas do Senado Federal. É lá, no artigo 52 da Constituição, que reside o dever exclusivo de fiscalizar, processar e julgar ministros do STF. No entanto, o que vemos é uma bancada de senadores acovardados, reféns de seus próprios processos ou convenientemente acomodados em acordos de bastidor.
Senadores da República, a omissão de vocês deixou de ser cautela política para se tornar cumplicidade escancarada. Guardar gavetas cheias de pedidos de impeachment e fingir que nada acontece é trair a população que os elegeu. Quando o Senado se ajoelha diante da toga, a democracia vira pó.
Cobrar transparência de quem julga não é um favor: é o papel constitucional que vocês juraram cumprir. Se o Senado não tiver a altivez de abrir as investigações e exigir o afastamento imediato para a devida apuração dos fatos, assumirá perante a história a culpa por transformar o Brasil na terra dos deuses intocáveis.





