Da linha de sucessão às urnas: a evolução do pioneirismo feminino no comando do Amazonas
A história política do Amazonas ganhou um novo e marcante capítulo com a eleição de Alessandra Campêlo para o cargo de vice-governadora.
Ao lado de Omar Aziz, ela se tornou a primeira mulher na história do estado a ser escolhida pelo voto direto para compor a chapa majoritária do Poder Executivo.
O feito coroa uma trajetória de ascensão das mulheres nos espaços de poder locais, que tem como matriz o pioneirismo histórico de Elizabeth Azize, a Beth Azize, nas décadas de 1960 a 1980.
Embora separadas por gerações e contextos políticos distintos, as trajetórias de Azize e Campêlo se cruzam na quebra de barreiras dentro de instituições tradicionalmente dominadas por homens.
Beth Azize abriu caminhos na magistratura como a primeira juíza de direito do estado, em 1964, e mais tarde no parlamento, tornando-se a primeira — e até hoje única — mulher a presidir a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), entre 1983 e 1985. Foi justamente nessa condição que Azize fez história ao assumir interinamente o governo do estado, mostrando a viabilidade da liderança feminina no comando do Executivo estadual.
Quatro décadas depois, o pioneirismo feminino deixa de ser uma condição episódica de sucessão institucional para se consolidar por meio do voto popular. Jornalista e policial civil de carreira, Alessandra Campêlo construiu sua base política no parlamento, sendo a primeira mulher a emendar três mandatos consecutivos na Aleam.
Diferente de Azize, cuja atuação nacional ganhou força na Assembleia Constituinte de 1988, Campêlo projeta sua liderança no Executivo amparada por uma forte agenda de assistência social e defesa dos direitos das mulheres, tendo comandado pastas estratégicas e a Procuradoria Especial da Mulher.
A transição da interinidade de Beth Azize para a eleição por sufrágio universal de Alessandra Campêlo reflete o amadurecimento e a persistência da representatividade feminina na Amazônia.
Enquanto Azize desbravou o terreno institucional em tempos de transição democrática, Campêlo assume o mandato com o desafio de transformar o simbolismo de sua vitória em políticas públicas perenes para a população amazonense.
Foto: montagem feita em IA.





