“Borboletas bebem lágrimas de tartarugas”: espetáculo inspirado em pesquisa da Amazônia estreia em Manaus

Pesquisadores do MUSA e INPA colaboram com a criação da montagem do artista Ítalo Rui que tem seis apresentações gratuitas em Manaus.

Inspirado em pesquisas da Amazônia, o espetáculo “Borboletas bebem lágrimas de tartarugas” estreia nesta quinta-feira (16), às 19h, no Teatro da Instalação em Manaus, com sua apresentação no mesmo local e horário, no sábado (18). A temporada de apresentações passará, na sexta-feira (17), pela na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), além do Museu da Amazônia (MUSA) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Todas as apresentações são gratuitas.

O monólogo criado e interpretado pelo ator Ítalo Rui teve todo o processo de criação elaborado ao lado de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Musa (Museu da Amazônia). A montagem é inspirada em fenômeno científico: as tartarugas eliminam o excesso de sódio do corpo através das lágrimas e as borboletas bebem esse líquido por ser um nutriente precioso à nutrição das próprias borboletas. O hábito, denominado como Lacrofagia, vira uma metáfora durante o espetáculo para tocar em assuntos sensíveis como território, memória, ancestralidade, luto e autoconhecimento.

“Vi um vídeo em que apareciam borboletas sobrevoando as tartarugas, uma imagem linda e comecei a pesquisar mais sobre tartarugas. Foi quando descobri que elas depositam seus ovos nos mesmos bancos de areia em que nasceram. Percebi que há uma relação muito forte com o território, com o lugar de onde elas vieram e que as borboletas se nutrem das lágrimas delas”, conta o ator Ítalo Rui.

Em “Borboletas bebem lágrimas de tartarugas” somos convidados a conhecer a história de Tapy, uma tartaruga que teve que aprender muito cedo sobre o tempo do rio, o tempo das coisas e o tempo de si. Outros cinco personagens compõem a montagem e todos são interpretados pelo ator Ítalo Rui, que usa a linguagem do teatro de formas animadas, através do recurso de criação e manipulação entre animador/ator e bonecos.

Além de atuar Ítalo Rui assina a direção e o argumento espetáculo que tem dramaturgia de Pri Conserva; Preparação de ator e assistência de direção de Viviane Palandi; e Produção de Ana Oliveira; Figurino e Teatro de bonecos de Davi Martins; Trilha sonora original: Ayrton Pessoa; Operação de som de Elson Arcos; Iluminação de Paulo Martins; Cenotécnica de Juca Di Souza; Libras de Raiana Nascimento; identidade visual Yule Bernardo; assessoria de imprensa de Lídia Ferreira e Social Midia de Matheus Soares.

O projeto foi contemplado no Edital nº 07/2024 – FOMENTO À EXECUÇÃO DE AÇÕES CULTURAIS DE TEATRO da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado do Amazonas.

 

Artistas e cientistas em campo no MUSA e no INPA

Para dar embasamento à pesquisa e ao aprofundamento criativo, a equipe artística do espetáculo realizou pesquisas de campo ao lado de pesquisadores da Amazônia. Para compreender melhor as borboletas, os artistas fizeram uma imersão no borboletário do MUSA e, para aprender sobre tartarugas, o destino foi o Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia (CEQUA), do INPA.

Durante um mês, os artistas acompanharam a rotina dos pesquisadores, onde além de observarem e tirarem dúvidas, tiveram atividades práticas como alimentar, cuidar e ajudar na rotina dos animais. “Apesar de que as perspectivas são muito diferentes, Italo e sua equipe são muito simpáticos e a interação foi muito positiva. Foi fácil encontrar pontos de convergência”, conta Gabriel Jorgewich Cohen, biólogo, pesquisador adjunto do Inpa.

No MUSA, os artistas acompanharam o trabalho dos pesquisadores para vivenciar  todo o ciclo que uma borboleta passa. O grupo viu desde a coleta da planta hospedeira, entendendo mais sobre essas plantas; viram a rotina do laboratório, onde aprenderam sobre as identificações da coleta; ajudaram na alimentação e estiveram presente até na metamorfose da lagarta para borboleta.  “Trazer eles pra essa convivência com a gente foi, foi acho que animado, empolgante, porque algo que é muito comum pra gente, mas  para eles era novidade, eles ficavam maravilhados com cada processo”, conta Raymê Carvalho, bióloga responsável pelo Laboratório de Borboletas e o Borboletário do MUSA.

 

Temporada gratuita

“Borboletas bebem lágrimas de tartarugas” terá seis apresentações na temporada de estreia em Manaus, sendo duas delas ao ar livre. Todas com entrada gratuita.

No Teatro da Instalação, a estreia será no dia 16 de abril, com a segunda apresentação no dia 18. Nos dois dias será às 19h.

No dia 17 de abril, a apresentação será na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), na sala Sala Selma Bustamante, na Escola de Artes e Turismo (ESAT), às 15h.

No dia 22, o INPA recebe o espetáculo às 9h da manhã. Já no MUSA serão duas sessões no dia 25 de abril, uma às 9h da manhã e outra às 15h. Mais informações pelo instagram do artista @italorui.

 

SERVIÇO

TEMPORADA DE ESTREIA

“Borboletas bebem lágrimas de tartarugas” – solo de artes da cena

 

Datas: 16 e 18/04/2026

Horário: 19h

Local: Teatro da Instalação (R. Frei José dos Inocentes, s/n – Centro).

 

Data: 17/04/2026

Horário: 15h

Local: UEA/Esat – Av. Leonardo Malcher, 1728 – Praça 14 de Janeiro.

 

Data: 22/04/2026

Horário: 9h

Local: INPA

 

Data: 17/04/2026

Horário: 09h e 15h

Local: MUSA – Av. Margarita, 6305 – Cidade de Deus.

 

SAIBA MAIS

 

Premiado

“Borboletas bebem lágrimas de tartarugas” é o terceiro solo inspirado em um animal e/ou bicho como elemento central na dramaturgia, protagonizado por Ítalo Rui.  Em 2024, ele recebeu dois prêmios por “Provérbios de Burro” no Festival de Teatro da Amazônia – melhor dramaturgia e melhor ator. O espetáculo recebeu quatro indicações. A montagem é resultado de um trabalho de pesquisa continuada do artista, que também montou “Se eu fosse um rato” (2021).

 

Trajetória artística de Ítalo Rui

Mestre em Artes pela Universidade Federal do Ceará UFC), Ítalo Rui atua no teatro, cinema, streaming e nos bastidores, como ator, produtor, crítico de teatro e criador de projetos culturais. Formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com graduação sanduíche em História da Arte pela Universidade de Coimbra, em Portugal, é ainda autor dos livros Veredas da Crítica Teatral Manauara (2021) e Do diário à Cena (2022).  Atualmente é um dos coordenadores do projeto Potências das Artes no Norte (PAN), contemplado no Programa Palco Giratório 2022, atuando para desenvolver práticas teatrais na Amazônia através da plataforma de streaming Pan Play. Em 2020, integrou o elenco da série Aruanas, exibida pelo Globoplay, o longa-metragem O último azul, vencedor do urso de prata no Festival de Berlim, do diretor pernambucano Gabriel Mascaro e atualmente prepara-se para estrear a série Alucinação que vai narrar a vida do cantor e compositor Belchior, produzida pelo Canal Brasil e Urca Filmes.

 

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