Os artistas amazonenses Michel Guerrero, Gab Bianca, Ney o virgem e Duda Little retornam com o espetáculo ‘É tempo de amar’, teatro documentário com única sessão, no próximo dia 21, às 19h, no Cine Teatro Guarany, Centro, localizado na Vila Ninita, anexo do Centro Cultural Palácio Rio Negro, na avenida Sete de Setembro, s/nº. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Sympla, nos valores de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada). Também podem ser adquiridos uma hora antes da sessão, por meio de pagamento pix.
A peça ‘É tempo de amar’ já foi apresentada no Teatro Gebes Medeiros e no Teatro do Icbeu, é um teatro documentário dividido em três cenas e um epílogo, com dramaturgia escrita pelo teatrólogo Michel Guerrero, que assina também a direção e a iluminação. O elenco é formado por Guerrero também, Gab Bianca e Ney o Virgem, que interpretam respectivamente, Joelma Andraus, Manuella Otto e Chiquinho Ribeiro. A drag queen Duda Little completa o elenco.
O espetáculo conta, ainda, com as participações midiáticas da drag queen Brenda Lamasck, dos atores Mário Jorgi e Gomes de Lima e da mãe de Manuella Otto, Hylma Souza. O artista teatral Sam Kelwen responde pela pesquisa musical junto a Michel Guerrero e executa a sonoplastia. O artista Anderson Chagas é responsável pelas mídias da peça. A operação de iluminação é de Miguel Figueira.
Histórias entrelaçadas
O espetáculo ‘É tempo de amar’ é um tributo à vida da comunidade LGBTQIA+, dentro da configuração de um Brasil como um dos países que mais matam este grupo no mundo. Apresenta personagens reais que tiveram uma contribuição enorme à sociedade com seus trabalhos artísticos e sociais no estado do Amazonas, como a drag queen Joelma Andraus, o ativista político Chiquinho Ribeiro e a mulher trans e artista Manuella Otto, todos ceifados por crimes de ódio nos anos 2012, 2021 e 2023, respectivamente.
A primeira cena é intitulada ‘Senhoras e senhores, Joelma Andraus’ e recria a noite do ‘Miss Amazonas Gay 2008’, sob apresentação de Joelma Andraus e Brenda Lamasck. A encenação utiliza-se de arquivos da época em conexão com a ação proposta. Depois, em 2012, ano de seu assassinato, Joelma Andraus decide parar de se apresentar nos palcos e relembra histórias de sua vida e de quando era uma das principais drag queens do Rio de Janeiro, ao lado de Rogéria, Isabelita dos Patins e Lola Batalhão, entre outras. Joelma foi cruelmente morta por um namorado e seus amigos, enquanto fazia uma festa em sua casa, no bairro Santa Etelvina.
Michel Guerrero, que vive a Joelma no espetáculo, destaca a importância de contar essas histórias. “Em uma época de incertezas e violências é sempre bom reviver grandes figuras que tiveram suas vidas ceifadas por pessoas desumanas e homofóbicas. Joelma Andraus foi uma delas, artista de grande talento e personalidade que viveu intensamente seus 68 anos e deixou uma marca indelével em todos que a conheceram. Joelma ou Waldir era humana, engraçada, generosa e talentosa, e é com grande prazer que hoje a estou representando nos palcos da vida, onde ela brilhou e deixou sua marca registrada. Jamais será esquecida!”, disse Michel.
‘O sorriso de Manuella’, título da segunda cena, traz as reminiscências de Manuella Otto, suas aspirações infantis com as artes cênicas e seu lado familiar e empresarial, chegando à transição de gênero. Manuella, vítima do ódio, foi assassinada por um policial militar em 2021, em um motel na zona norte de Manaus.
A atriz trans Gab Bianca destaca a importância de atuar nos principais palcos. “Pra mim, como uma atriz e mulher trans, é muito importante poder contar a história de uma das nossas. Ser chamada pra compor esse elenco, é acima de tudo, uma reparação. Que possamos ocupar todos os lugares, inclusive, o palco”, disse Gab.
A última cena ‘O escâaaaandalo Chiquinho’ rememora a trajetória de Chiquinho Ribeiro no bairro do Coroado, de auxiliar de odontologia a assessor parlamentar, lutando por causas dos mais necessitados. Era uma figura muito popular e querida e seu crime chocou o Brasil, com o namorado o ameaçando em transmissão ao vivo nas redes sociais para depois consumar o ato. Já o epílogo é formado por homenagens às vítimas retratadas no espetáculo e um grito de justiça e de basta aos crimes de ódio à comunidade LGBTQIA+.





