A Zona Norte de Manaus será palco de uma grande celebração da cultura urbana no dia 30 de agosto, a partir das 13h, com a realização do projeto “Zona Norte é Hip Hop”, na Praça Irmã Helena, localizada na Avenida Cristã, nº 136, bairro Colônia Terra Nova. Com acesso gratuito, a programação reunirá diferentes gerações em torno da dança, música, graffiti e demais expressões que fortalecem a cultura Hip Hop no Amazonas.
Realizado em comemoração à cultura Hip Hop e ao nascimento do Hip Hop que foi atribuído em 11 de agosto no início dos anos 1970 na periferia do Bronx, em Nova York, em meio a crises econômicas, pobreza e isolamento social, o projeto nasce com o propósito de valorizar a produção cultural periférica, democratizar o acesso às manifestações urbanas e ampliar os espaços de participação de crianças, jovens e adultos.
Mais do que uma competição, o “Zona Norte é Hip Hop” busca reafirmar a periferia como território de criação, formação, diversidade, identidade e protagonismo, fortalecendo artistas que constroem diariamente a cena cultural de Manaus.
Batalhas movimentam a Zona Norte
Um dos principais destaques da programação serão as batalhas de Breaking 2v2 Adulto, Breaking Kids 2v2 e Power Tricks, proporcionando espaço tanto para competidores experientes quanto para a nova geração da dança urbana.
A banca de jurados das batalhas de Breaking contará com nomes que possuem trajetória dentro da cultura Hip Hop amazonense:
B-Boy Destro, natural de Codajás (AM), soma mais de 15 anos de vivência no Breaking. Reconhecido como B-Boy Revelação em 2011 e participante da Red Bull BC One Cypher Manaus em 2019, o artista apresenta uma identidade marcada por explosão, impacto, criatividade e inovação.
A B-Girl Josy é bacharel em Educação Física, produtora cultural, arte-educadora, dançarina e jurada em eventos. Sua trajetória também é marcada pelo desenvolvimento de iniciativas direcionadas à participação feminina na cultura urbana, entre elas “Rompendo Barreiras – Fortalecendo a Dança Breaking Feminina”, “Urban Dance Queens” e “Street Queens”. Josy coordena o Coletivo Rompendo Barreiras – Mulheres em Ação e integra as crews DDTankers e Icamiabas, desenvolvendo ações ligadas ao Breaking, formação cultural, produção e fortalecimento da presença feminina no Hip Hop.
Completando a banca está B-Boy Deff, que atua na cena do Breaking desde 2008. Ao longo de sua trajetória, integrou grupos como DDTankers Crew, Monster King e Primatas Clan, acumulando experiências em competições realizadas em Manaus e no interior do Amazonas. Além da atuação como competidor, Deff também possui experiência como jurado em diferentes batalhas de Breaking.
A categoria Power Tricks terá como jurado Anderson Silva, conhecido na cena como B-Boy Andersonzinho, iniciou sua trajetória no Breaking em 2007, na Escola Estadual Daisaku Ikeda, em Manaus (AM). Desde então, vem construindo uma caminhada dedicada ao Hip Hop, participando de competições, apresentações, projetos culturais e ações sociais ligadas à cultura urbana.
Integrante do Nativos Crew, Andersonzinho já representou o Amazonas em importantes eventos realizados fora do estado, incluindo o Rival vs. Rival, em São Paulo, além de competições de Power Tricks e batalhas realizadas em Goiânia, levando a identidade e a potência do Breaking amazonense para outros territórios.
Há dois anos, Andersonzinho também integra o Grupo Ritmo 3, onde desenvolve trabalhos culturais e sociais tanto na cidade de Manaus quanto em municípios do interior do Amazonas. Por meio dessas ações, contribui para aproximar a dança e a cultura Hip Hop das comunidades, utilizando o Breaking também como instrumento de formação, integração e transformação social.
Com uma trajetória iniciada ainda na juventude e construída a partir da vivência nas rodas, batalhas e ações comunitárias, B-Boy Andersonzinho segue fortalecendo o Breaking e compartilhando seus conhecimentos com novas gerações.
Graffiti ao vivo valoriza a presença feminina na arte urbana
As artes visuais também terão espaço de destaque durante o evento, com graffiti ao vivo da artista Thaizis, natural de Manicoré (AM) e atuante em Manaus.
Com aproximadamente 15 anos de trajetória nas artes visuais, Thaizis integra a DDTankers e o Coletivo Rompendo Barreiras – Mulheres em Ação. Suas produções são marcadas pela presença de figuras femininas, cores intensas e elementos relacionados à conexão entre mulheres, território e natureza. Sua caminhada inclui participação em festivais, exposições coletivas e atividades formativas, além da realização de oficinas voltadas para jovens e comunidades indígenas e do interior amazonense.
A presença da artista no Zona Norte é Hip Hop reforça também a importância da representatividade feminina na construção e ocupação dos espaços da arte urbana.
No comando os toca-discos
Quem ficará responsável pela trilha sonora das batalhas será o DJ Junio. Natural de Codajás (AM) e integrante da DDTankers, o artista possui uma trajetória dentro da cultura Hip Hop que remonta a 2004. Durante o evento, o DJ será responsável pelos beats que conduzirão as disputas e pela discotecagem que acompanhará a programação, fortalecendo um dos elementos fundamentais da cultura Hip Hop.
Porta voz de toda a programação do Evento
Outro nome de grande representatividade na programação é o artista amazonense Miguel Maia, que será o mestre de cerimônia do evento.
Artista cadeirante e um dos pioneiros do Hip Hop em Manaus, Miguel desenvolve sua trajetória desde 1988, transitando por diferentes linguagens artísticas como dança, MC, beatbox, graffiti e pontilhismo. Integrante da DDTankers, tornou-se uma referência da cultura urbana amazonense e, em 2023, recebeu homenagem por sua contribuição à dança no estado. Sua presença no “Zona Norte é Hip Hop” representa também a defesa de uma cultura urbana cada vez mais plural, diversa e acessível às pessoas com deficiência.
Acessibilidade com intérprete de Libras
O evento também contará com intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante a programação.
O profissional responsável será Renan Rodrigues, graduando em Letras Libras – Bacharelado pela Uniasselvi e Tradutor/Intérprete de Libras na Câmara Municipal de Manaus desde janeiro de 2021. Renan também atua como instrutor de Libras nos níveis básico, intermediário e avançado pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM). Sua experiência profissional inclui passagens pelo Instituto Federal do Amazonas (IFAM) – Campus Manaus Zona Leste, Universidade Paulista (UNIP) e Instituto Amigos da Família e da Escola (IAFE).
A presença do intérprete amplia as condições de participação do público surdo e reafirma o compromisso do projeto com a democratização e a acessibilidade cultural.
Participação especial com pocket show
A música também ganha protagonismo com um pocket show do rapper DaCota, MC e compositor independente natural de Manaus.
Ligado à expansão do Trap no Amazonas, o artista construiu sua identidade musical abordando realidade, vivências, identidade negra e experiências periféricas. Seu trabalho transita pelo Trap, Rap, R&B e Funk, carregando a representatividade de um artista preto e nortista dentro da música brasileira. Além da carreira artística, DaCota desenvolve trabalhos relacionados à produção e articulação cultural, direção executiva, roteiro, estratégias de marketing, comunicação e liderança comunitária.
O rapper também integra o Coletivo 333, ao lado de artistas e produtores da cena nortista, e trabalha na construção de seu primeiro disco solo, intitulado “Se Não Fosse O Rap”.
Nova geração também ganha espaço
O Zona Norte é Hip Hop também abre espaço para quem está começando a construir sua trajetória dentro da cultura.
O público poderá acompanhar uma apresentação artística do grupo DDTankers Kids, valorizando crianças que encontram na dança urbana um espaço de aprendizado, convivência, disciplina, expressão artística e pertencimento.
A participação da nova geração reforça um dos principais objetivos da iniciativa: criar oportunidades para que crianças e adolescentes das comunidades tenham contato direto com a cultura Hip Hop e possam reconhecer nela uma possibilidade de desenvolvimento artístico e social.

Mais estilo, mais identidade
Durante o evento será realizada uma premiação em dinheiro surpresa para a pessoa mais estilosa, com direito a um desfile para quem quiser mostrar personalidade e representar a estética Hip Hop.
Para participar, o(a) candidato(a) deverá fazer parte da cultura Hip Hop há, no mínimo, dois anos, possuir vivência ou atuação ligada ao movimento e participar do desfile que acontecerá durante a programação.
A proposta é simples: chegar representando o Hip Hop de verdade! Vale apostar naquele visual que traduz sua personalidade, suas referências, sua atitude e sua conexão com a cultura de rua.
Durante o desfile serão observados critérios como estilo, autenticidade, criatividade, identidade Hip Hop, presença e atitude, além da forma como cada participante apresenta seu visual.
Premiação chega a mais de R$ 6.000 mil
As competições contarão com premiação em dinheiro para os três primeiros colocados das categorias Breaking Adulto e Breaking Kids, além do campeão de Power Tricks.
Breaking 2v2 Adulto
1º lugar – R$ 2.000
2º lugar – R$ 1.000
3º lugar – R$ 600
Breaking Kids 2v2
1º lugar – R$ 1.000
2º lugar – R$ 600
3º lugar – R$ 400
Power Tricks
1º lugar – R$ 500
Serão distribuídos mais de R$ 6.000 em premiações + Troféus, incentivando competidores e reconhecendo artistas que movimentam a cena do Breaking.
Cultura Hip Hop ocupando a periferia
A escolha da Zona Norte como território para realização do projeto está diretamente relacionada ao reconhecimento da força cultural existente nas periferias de Manaus. Ao ocupar um espaço público da Colônia Terra Nova, a iniciativa aproxima a programação cultural dos moradores e contribui para descentralizar ações que muitas vezes ficam concentradas em outras regiões da cidade.
O “Zona Norte é Hip Hop” pretende transformar a praça em um grande ponto de encontro entre artistas, moradores, crianças, jovens, famílias e admiradores da cultura urbana.
A proposta é mostrar que o Hip Hop não é apenas entretenimento. É também instrumento de formação, identidade, pertencimento, convivência comunitária, geração de oportunidades e transformação social.
Para Juliana Ferreira (Proponente do Evento), realizar um evento dessa dimensão na Zona Norte possui um significado especial:
“Realizar o Zona Norte é Hip Hop dentro da periferia é muito importante para mim porque é aqui que a nossa história acontece. É aqui que existem crianças e jovens cheios de talento, artistas que treinam, produzem e mantêm a cultura viva mesmo quando faltam oportunidades. Como mulher negra, mãe, artista e moradora que conhece essa realidade, poder trazer um evento gratuito, com estrutura, premiação, acessibilidade e valorização dos nossos artistas é mostrar para a comunidade que nós também merecemos grandes realizações. A periferia não pode ser vista somente pelas suas dificuldades. Ela precisa ser reconhecida pela arte, pelos talentos e pela potência das pessoas que vivem aqui.”, destaca Juliana.
A proponente ressalta ainda que proporcionar uma programação voltada para diferentes gerações é uma maneira de devolver ao território parte daquilo que o próprio Hip Hop proporcionou em sua caminhada:
“Eu também comecei acreditando na dança e encontrando no Hip Hop um espaço para crescer. Hoje, poder contribuir para que outras crianças e jovens tenham esse contato dentro do próprio bairro é muito significativo. Esse projeto não é só meu. Ele representa muita gente que vem construindo o Hip Hop na Zona Norte e em Manaus há anos. Cada artista, cada criança, cada família e cada pessoa que chegar à praça faz parte dessa realização.
Queremos ocupar esse espaço com aquilo que temos de melhor: nossa arte, nossa identidade, nossa diversidade e a força da nossa comunidade.
Serviço
Evento: Zona Norte é Hip Hop Data: 30 de agosto
Horário: a partir das 13h Local: Praça Irmã Helena
Endereço: Av. Cristã, 136 – Colônia Terra Nova, Manaus (AM) Entrada: Gratuita
Apoio:
@conculturamao : Conselho Municipal de Cultura | Fundo Municipal de Cultura @castrojanayna: Janayna Castro | Presidente do Concultura
@ddtankers: DD Tankers Crew @aguasdemanaus: Águas de Manaus @realmentedigital: Realmente Cultural
Realização
O projeto “Zona Norte é Hip Hop” é uma realização do Coletivo DDTANKERS e foi contemplado por meio do EDITAL 013/2026 – HIP-HOP. Uma realização do Conselho Municipal de Cultura de Manaus, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) – Lei nº 14.399/2022.
No dia 30 de agosto, a Zona Norte mostra mais uma vez que a periferia também é palco, escola, arte, movimento e potência cultural.
Zona Norte é Hip Hop!





