Após derrota e fuga de Flávio, Jair Bolsonaro volta a ter crises de soluço e taquicardia

Após derrota e fuga de Flávio, Jair Bolsonaro volta a ter crises de soluço e taquicardia

A semana que começou com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas, além da fuga de Flávio para o EUA, terminou com um novo registro de problemas de saúde de Jair Bolsonaro (PL). Em prisão domiciliar em Brasília, o ex-presidente voltou a apresentar crises de soluço e episódios de taquicardia, segundo relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento, enviado nesta sexta-feira (30) ao ministro Alexandre de Moraes, informa que Bolsonaro apresentou recorrência de taquicardia entre os dias 27 e 29 de outubro, além de episódios intermitentes de soluço, principalmente durante a noite.

Os sintomas reapareceram poucos dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), quando Flávio foi derrotado por Lula.

Sintomas reaparecem após semanas de estabilidade

O novo registro chama atenção porque os relatórios encaminhados ao STF nas semanas anteriores apontavam um quadro de saúde regular e estável.

No início do mês, Bolsonaro apresentou um episódio de taquicardia e dificuldade para respirar no dia 2 de outubro. Segundo a equipe médica, o quadro foi de curta duração, apresentou melhora espontânea e não voltou a ocorrer naquela semana.

Nos relatórios posteriores, o ex-presidente manteve estabilidade cardiorrespiratória, embora os médicos tenham registrado efeitos colaterais provocados por medicamentos, como sonolência durante o dia e instabilidade no equilíbrio corporal.

Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à trama golpista, entre eles golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Depois de cumprir parte da pena em regime fechado, o ex-presidente passou à prisão domiciliar humanitária por razões de saúde. A medida foi inicialmente concedida por Moraes em março e posteriormente mantida pelo ministro.

Derrota de Flávio e crise no clã Bolsonaro

O retorno dos sintomas ocorre em um momento delicado para a família Bolsonaro. Além da derrota de Flávio na disputa presidencial, o senador deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos e divulgou uma carta contestando o resultado das eleições, na qual chegou a se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito”.

A sequência ampliou a crise no bolsonarismo e provocou reação até mesmo dentro do PL, cuja direção tentou se distanciar da contestação feita por Flávio.

Apesar da coincidência temporal, não há indicação médica de que o resultado das eleições ou os acontecimentos envolvendo Flávio Bolsonaro tenham provocado as alterações no estado de saúde do ex-presidente. O relatório se limita a registrar os sintomas apresentados entre os dias 27 e 29.

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