AULA DE COMUNICAÇÃO RADICAL: E o vexame da Esquerda Institucional- Por: Rafael Mdeiros

A ausência da esquerda no DSX, em Manaus, não foi um erro de agenda; foi um sintoma de óbito cerebral estratégico. Enquanto o maior evento de marketing digital do Norte fervilhava com técnicas de microtargeting e inteligência de dados dominadas pela direita, os partidos progressistas mantinham-se encastelados em um purismo estético que beira o anticientificismo.

Essa esquerda, que não vi e que desapareceu no evento acima em questão, bem define como “messiânica e despolitizada” pelo lulismo e prefere culpar o algoritmo a entender como ele funciona. O resultado é o surgimento de um “petista de direita” uma massa que segue o líder, mas opera na lógica do capital e um vácuo de comunicação que entrega o país, de bandeja, ao conservadorismo digital.
Entretanto, o que a burocracia partidária de Brasília e os estrategistas de gabinete não esperavam é que a verdadeira vanguarda da comunicação revolucionária não viria dos cursos de elite, mas das margens do Rio Tapajós.

Durante os 33 dias de ocupação na sede da Cargill, em Santarém, os povos indígenas aplicaram, na prática, o que Lenin fazia do exílio siberiano: a orientação disciplinar, a agitação e propaganda coordenada, mas com a voltagem do século XXI. Enquanto a esquerda institucional trata a tecnologia como um “mal necessário” ou um bicho de sete cabeças, os indígenas a abraçaram como arma de guerrilha. Eles não apenas ocuparam o território físico; eles dominaram a infraestrutura da informação.

A diferença de resultados é pedagógica e humilhante para o campo hegemônico.

Enquanto a não esquerda do DSX vê a tecnologia como um entrave e se perde em narrativas envelhecidas de palanque, os indígenas do Baixo Tapajós transformaram o sinal de satélite em prova de crime ambiental e ferramenta de pressão política. No campo institucional, a narrativa é de dependência e espera-se que o “Líder” resolva tudo. No Tapajós, a narrativa foi de autonomia coletiva: o rio resiste porque o povo comunica. Essa disrupção estética, que mescla o documental real com a agilidade das redes sociais, provou que o radicalismo (o ir à raiz dos problemas) comunica com muito mais eficácia do que o centrismo estético e morno do governo federal.

A ironia final desta lição de comunicação reside na revogação do Decreto 12.600. A vitória não veio da articulação de gabinete da esquerda petista, mas do cerco digital e físico que tornou o custo reputacional da dragagem insustentável. Foi necessário que Lula estivesse ausente para que Geraldo Alckmin, em um ato de pragmatismo forçado pela pressão das redes indígenas, assinasse a revogação.

Os indígenas do Tapajós mostraram que a comunicação revolucionária não precisa de autorização da burocracia para vencer. Eles produziram ciência, tecnologia e política, deixando claro que, enquanto a esquerda institucional se recusa a entrar no jogo, os povos da floresta já aprenderam não apenas a jogar, mas a ditar as regras do novo campo de batalha.

Deram cursos, formação e uma aula de materialismo histórico e dialético, com todas as dificuldades do mundo se organizaram pra enfrentar as estruturas do capital e estão fazendo escola.

Quero agradecer a todos que pude conhecer ao decorrer dessa frente de luta vitoriosa e fica aqui meus agradecimentos, quero em breve poder estar presente em Santarém para documentar esse fato histórico que nos remonta a um frasco da CABANAGEM.

Agradecimentos: Manu Yael, Auticelia Arapiun, Igor Teixeira, Alessandra Korap, Regina Pimentel, SOS Tapajós, Fotos Alter, Thaygon Arapiun, Pivide Kumaru, Cristian Arapiun, Adriano Wilkson Carrapato, Lukas Tupinambá e a todos os povos ancestrais da nossa mãe Amazônia.

Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada

Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada.

Foto: Manu Yael

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