O presidente Jair Bolsonaro comparou, em entrevista a uma TV da Itália, o ex-ativista italiano Cesare Battisti a Carlos Lamarca, militar que se opôs à ditadura brasileira de 1964 a 1985.
Bolsonaro também citou os ex-presidentes petistas Dilma Rousseff e Lula.
Indagado sobre o motivo que levou Battisti a ficar exilado no Brasil apesar das acusações de homicídio na Itália, Bolsonaro mencionou Lamarca. Disse que o brasileiro fez parte de “1 grupo terrorista responsável por várias ações terroristas, incluindo uma bomba que matou 1 soldado em São Paulo”.
“Quem comandava esse grupo era esse elemento, Carlos Lamarca. Fazia parte dessa organização terrorista também a senhora Dilma Rousseff”, falou ao programa “Porta a Porta”, do canal Rai.
“Obviamente o governo de Lula não poderia aceitar um deles de outra forma, porque nesse governo fazia parte de Dilma”.
Batistti foi levado da Bolívia à Itália no último domingo.
Fim da era Lamarca no Brasil
Uma cuidadosa ação da Inteligência colocou fim à carreira do terrorista Carlos Lamarca, mas os homens que lutaram contra o terror comunista nunca foram reconhecidos pelos governantes de plantão.
No dia 7 de dezembro de 1970, uma segunda-feira, um grupo de militantes da Vanguarda Popular Revolucionária, chefiado por Carlos Lamarca, seqüestrou Giovani Enrico Bucher, embaixador da Suíça no Brasil. O seqüestro ocorreu na rua Conde de Baependi, Catete, no Rio de Janeiro. O embaixador viajava em seu carro, um Buick, dirigido por seu motorista, Hercílio Geraldo e, como sempre, acompanhado do agente da Polícia Federal Helio Carvalho de Araújo, designado para prover sua segurança. Após o carro ter sido interceptado, Carlos Lamarca, utilizando o codinome de “Paulista”, bateu no vidro da janela do agente de segurança, abriu a porta e desfechou-lhe dois tiros com um revólver calibre 38 à queima-roupa. O agente, conduzido para o Hospital Miguel Couto, faleceu 3 dias depois.
Desse seqüestro, tomaram parte diretamente seis militantes, além de Carlos Lamarca: Adair Gonçalves Reis, Gerson Theodoro de Oliveira, Alex Polari de Alverga, Inês Etienne Romeu, Maurício Guilherme da Silveira e Herbert Eustáquio de Carvalho. José Roberto Gonçalves de Rezende e Alfredo Helio Sirkis participaram do transporte do embaixador para o “aparelho” da VPR na rua Paracatu, em Rocha Miranda. O militante Paulo Brandi de Barros Cachapuz, nesse mesmo dia – e nos dias seguintes – deu seguidos telefonemas desinformando a polícia sobre o paradeiro do embaixador.
Essa data – 7 de dezembro de 1970 – marcou o início do fim de Lamarca e da VPR. Naquele mesmo dia a VPR distribuiu aos meios de comunicação o “Comunicado nº 1”, um “Manifesto ao Povo Brasileiro” e uma “Carta Aberta à embaixada suíça”, bem como uma carta de próprio punho do embaixador





