O clima esquentou de vez nos bastidores da política amazonense e a conta da “farra de privilégios” finalmente chegou. A traição explícita do vice-prefeito de Presidente Figueiredo, Marcelo Palhano (Agir), que foi flagrado pedindo votos abertamente para Roberto Cidade (União Brasil) mesmo estando na coligação de David Almeida (Avante), é só a ponta do iceberg de um racha muito maior.
O que se fala à boca pequena nos corredores políticos do Estado é que a base aliada cansou de bancar figurante. Enquanto a militância e os candidatos a deputado ralam no asfalto com Pires na mão, denunciantes e aliados insatisfeitos revelam que o núcleo duro da campanha de David Almeida virou um “negócio em família”.
A Farra do “Núcleo Familiar”
Segundo denúncias que chegam aos bastidores da imprensa local, toda a estrutura, a verba pesada e os privilégios da campanha de David estariam concentrados nas mãos de apenas dois nomes:
- Daniel Almeida: O irmão do ex-prefeito, apontado como o grande operador do caixa e das decisões táticas;
- Aryel Almeida: A filha de David, que desfruta de passe livre e centraliza recursos e espaço de destaque.
Para os partidos aliados — como o próprio Agir de Marcelo Palhano —, sobrou apenas o papel de composição de tempo de TV e fachada democrática. Sem apoio financeiro relevante e se sentindo escanteados pelo “clã Almeida”, os candidatos do arco de aliança começaram a debandar.
A Traição Anunciada: “Macaco que Muito Pula…”
Palhano não pensou duas vezes. Durante ato público em Presidente Figueiredo, puxou o microfone e mandou sem gaguejar: “O nosso número é fácil: o do Roberto é 44, não tem o que errar!”.
O deboche é completo: Palhano concorre a deputado pelo Agir (que apoia David), mas faz campanha escancarada para Cidade. O episódio resgata até a célebre frase dita pelo senador Omar Aziz em fevereiro, quando Palhano ensaiava pular de galho em galho:
“Macaco que muito pula de galho leva chumbo.”
Pois o chumbo veio, e foi direto no peito da candidatura de David Almeida.
O Silêncio dos Inocentes?
Procurado para responder sobre a debandada e a manifestação pública de voto de seus próprios “aliados” em favor de Roberto Cidade, David Almeida preferiu o silêncio. Não respondeu às mensagens e viu sua coligação sangrar em público.
A verdade é uma só: a estratégia de concentrar tudo em família criou uma panela de pressão. A “pernada” que David levou de Marcelo Palhano mostra que, quando a verba não desce e os privilégios ficam restritos aos de casa, a lealdade na política do Amazonas evapora em segundos.





