Mesmo sob a mira de uma ordem judicial expressa para regularizar o licenciamento ambiental do Cemitério Municipal Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, a Prefeitura de Manaus preferiu empurrar com a barriga. O resultado da incompetência e do descaso? Uma multa pesada de R$ 500 mil, imposta pela Vara Especializada do Meio Ambiente.
A decisão, assinada pelo juiz Moacir Pereira Batista, escancara a incapacidade da gestão municipal em resolver o básico: manter a situação ambiental em dia no maior cemitério da capital, local onde repousam milhares de manauaras, incluindo centenas de vítimas da tragédia da COVID-19.
A DANCINHA MASCARA A IRRESPONSABILIDADE: RENATO JR. E A FALHA AFRONTOSA DA SEMULSP
Antes do golpe da multa, a administração já dava sinais de total incapacidade. Sob o comando da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) — pasta gerida pelo homem de confiança do prefeito, Renato Jr. —, o município alegou não ter equipe própria para realizar os levantamentos hidrogeológicos necessários e pediu mais 180 dias de prazo.
A tentativa de fuga pela tangente não cola na Justiça. O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) manteve a decisão e negou o pedido de suspensão. Na tentativa desesperada de se eximir da culpa, a gestão alegou que não havia “prova visual” de contaminação por necrochorume. A resposta do desembargador Abraham Campos Filho foi um tapa na cara da incompetência:
“A ausência de detecção visual de necrochorume na superfície (…) decorre logicamente da natureza oculta e subterrânea desse lixiviado de alta toxicidade (…), cujo fluxo infiltra-se silenciosamente em direção ao lençol freático, potencializando efeitos nocivos que podem ser irreversíveis.”
Enquanto a Semulsp se omite das obrigações básicas de saneamento e meio ambiente, o perigo invisível do necrochorume ameaça a saúde pública de Manaus sob os olhos complacentes de Renato Jr. e David Almeida.
MOCKERY E DEBOCHE COM O LUTO: ANJO DE MÁSCARA ENQUANTO TÚMBULOS DE VÍTIMAS DA PANDEMIA SÃO ENGOLIDOS PELO MATO
O descaso com as vítimas da COVID-19 e seus familiares não é de hoje. Investigações do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e denúncias de parentes revelam o cenário desolador do setor reservado aos mortos da pandemia:
- Túmulos tomados pelo matagal e sepulturas completamente sem identificação;
- Montanhas de lixo espalhadas e acessos bloqueados pela vegetação;
- Abandono total da infraestrutura, desrespeitando o luto das famílias que perderam seus entes queridos na maior crise sanitária da história da cidade.
Mas enquanto o MP-AM apurava o lixo e o abandono das covas, o prefeito David Almeida parecia mais preocupado com a “estética” e o marketing político. Em um ato visto por muitos como deboche e falta de empatia, a gestão ergueu a polêmica “Praça do Anjo” — uma escultura desproporcional de um anjo de máscara segurando pulmões.
Para a população manauara e os familiares devastados pela perda, a estátua não passou de um monumento à ostentação e ao desrespeito. O valor gasto na escultura poderia ter sido investido na manutenção digna, na limpeza e na regularização ambiental que o cemitério do Tarumã tanto precisava.
Manaus assiste, indignada, a uma gestão que prefere gastar com maquiagem e acumular multas de meio milhão de reais a honrar a memória dos seus mortos e proteger a saúde dos vivos.





