Assisti em choque ao vídeo em que o juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, absolve André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a jovem catarinense Mariana Ferrer, de 23 anos, durante uma festa em 2018. O juiz decidiu que o empresário cometeu “estupro culposo”, sem a intenção de estuprar, um crime que não existe, portanto, não pôde condená-lo.
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Tão estarrecedor quanto a decisão, foi a humilhação sofrida pela jovem durante toda a audiência, onde teve fotos sensuais expostas para questionar a acusação de estupro e foi chamada de falsa e dissimulada. Por várias vezes, Mariana implorou para ser tratada com respeito pelos homens que participavam da audiência. NINGUÉM FEZ NADA!
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Situações como essa, além de inadmissíveis, realçam a cultura do estupro que temos em nosso país. A mulher que sofre violência muitas vezes se cala com medo de ser exposta, humilhada e descredibilizada pelas autoridades mesmo que todas as provas confirmem que houve um crime. A violência ocorre três vezes: pelo agressor, pela justiça e por parte da sociedade.
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Mariana teve coragem de denunciar e teve mais coragem ainda por enfrentar julgamentos e injustiças de cabeça erguida. Essa decisão não é o fim. Estamos juntas e seguimos na luta por um país que puna crimes covardes como esse.
*Alessandra Campêlo*
Deputada estadual e presidente da Comissão da Mulher da Aleam





