“O Banco Central precisa explicar ao povo brasileiro como baixar os juros e aumentar o crédito, para destravar a economia e voltarmos a crescer.” Foi essa a ponderação feita nesta terça-feira (26/02) pelo líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), durante sabatina do indicado a presidente do Banco Central, Roberto Oliveira Campos Neto, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Por volta das 15h (horário de Brasília), o colegiado aprovou a indicação de Campos Neto. Para ser confirmado no cargo, seu nome precisa ser ainda aprovado pelo plenário do Senado.
Braga, que é relator da indicação de Campos Neto, argumentou ser inaceitável que a taxa média de juros ao consumidor seja entre cinco e 50 vezes mais alta que a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 6,5% ao ano. Braga destacou que os spreads bancários no Brasil são desproporcionalmente elevados em relação aos padrões internacionais e apontou a concentração do sistema financeiro como fator básico para essa distorção.
Ele questionou por que os grandes bancos não conseguem reduzir seus custos administrativos, lembrando que o mercado das Fintechs – startups que criam novos modelos de negócios na área de serviços financeiros, com uso intensivo de tecnologia – têm sido extremamente competentes nesse sentido, tendo crescido mais de 648% nos últimos anos.
O líder da maioria fez uma defesa veemente da expansão do microcrédito, especialmente diante do alto índice de desemprego no país. “As micro e pequenas empresas são as que mais geram emprego no Brasil”, salientou.
Braga cobrou de Roberto Campos Neto e dos outros dois economistas indicados para diretorias do Banco Central uma posição clara sobre a autonomia do banco.
Ele também afirmou que o povo do Amazonas será eternamente grato ao ex-ministro do Planejamento Roberto Campos, que assinou o decreto de criação da Zona Franca de Manaus.
No relatório apresentado na semana passada, Braga salientou a competência e a experiência de Roberto Campos Neto, que deixou uma carreira de 18 anos no Banco Santander para assumir o desafio de presidir o Banco Central. Campos Neto, conhecido pelas ideias liberais, a exemplo do avô, destacou, durante a sabatina, a necessidade de reforçar a transparência do banco, a mensuração do impacto do uso de recursos públicos, a educação financeira e a participação da iniciativa privada na economia.
Foto: Agência Senado





