Fim do foro privilegiado: Saiba o que acontece agora com o processo de Wilson Lima no caso dos respiradores, saiba quem são os envolvidos.

Foto: Diego Peres / Secom

A recente decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de rejeitar a denúncia contra o ex-governador Wilson Lima (União Brasil) pelo gasto de R$ 191 mil no frete aéreo de respiradores trouxe um alívio temporário para a sua defesa jurídica. No entanto, o verdadeiro “vespeiro” das investigações da Operação Sangria — a Ação Penal nº 993 (APn 993), que apura o desvio de mais de R$ 2,2 milhões na compra dos aparelhos — acaba de sofrer uma reviravolta jurídica monumental devido ao tabuleiro político.

Com a renúncia de Wilson Lima e de seu vice, Tadeu de Souza, para disputar as eleições de outubro, o ex-chefe do Executivo amazonense perdeu imediatamente o direito ao foro por prerrogativa de função (o foro privilegiado) em Brasília. Sem o cargo, o processo não pode continuar no STJ e está sendo despachado de volta para onde tudo começou: a primeira instância da Justiça em Manaus.

O que muda com a “descida” do processo?

Na prática, o ministro relator no STJ, Francisco Falcão, perde a competência sobre o caso e deve assinar a remessa dos autos para as varas criminais de Manaus.

Embora todas as provas colhidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) — incluindo quebras de sigilo bancário, interceptações e perícias — continuem 100% válidas, o ritmo muda de figura. O juiz local que herdar o calhamaço da APn 993 precisará analisar o imenso volume de documentos antes de dar andamento e proferir uma sentença.

Além disso, cai a necessidade de centralização em Brasília. No STJ, o ministro segurava todos os denunciados juntos para evitar decisões conflitantes; agora, na planície da primeira instância, todos os envolvidos enfrentam o crivo do julgamento em solo baré. Enquanto isso, o comando do Estado segue sob a liderança interina de Roberto Cidade (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa (ALEAM).

Quem é Quem: O Raio-X dos réus que vão responder em Manaus

A denúncia aceita de forma unânime pelo STJ fatiou os acusados originais em núcleos de atuação organizados. Relembre quem são as figuras que agora passam a responder perante a primeira instância local:

🏛️ O Núcleo Político

  • Wilson Lima: Ex-governador do Amazonas, apontado pela PGR como o suposto líder e coordenador político das ações do grupo.
  • Carlos Almeida Filho: Ex-vice-governador (da primeira gestão), denunciado por organização criminosa devido à sua forte influência na pasta de Saúde no início do mandato.

👔 O Núcleo de Secretários e Chefias de Estado

  • Rodrigo Tobias de Souza Lima: Ex-secretário de Saúde do Estado (Susam). Foi quem assinou a dispensa de licitação emergencial para a compra dos equipamentos.
  • Flávio Cordeiro Antony Filho: Secretário-chefe da Casa Civil do Estado à época dos fatos.

(Nota: A ex-secretária de Saúde Simone Papaiz também foi denunciada originalmente, mas as acusações contra ela foram rejeitadas pelo STJ por falta de indícios de dolo).

📋 O Núcleo Administrativo (Os Operadores da Susam)

Funcionários públicos apontados por dar o andamento burocrático e carimbar as justificativas de preços e o direcionamento dos contratos:

  • João Paulo Marques dos Santos: Ex-secretário-executivo de Saúde.
  • Perseverando da Trindade Garcia Filho: Ex-secretário adjunto do Fundo Estadual de Saúde (FES).
  • Dayana Priscila Mejia de Sousa: Ex-secretária executiva adjunta de assistência da Susam.
  • Alcineide Figueiredo Pinheiro: Ex-gerente de compras da Susam.
  • Márcio de Souza Lima: Ex-gerente de patrimônio da Susam.

💼 O Núcleo Empresarial e Intermediários

Os nomes apontados como responsáveis pela famosa “triangulação” comercial que envolveu a compra de respiradores em uma loja de vinhos (Vineria Adega):

  • Gutemberg Leão Alencar: Empresário apontado pelos investigadores como o articulador e intermediário entre o alto escalão do governo e os fornecedores.
  • Fabio José Antunes Passos: Proprietário da FJAP e Cia Ltda (nome jurídico da Vineria Adega), a loja de vinhos que comprou os respiradores e os revendeu ao Estado com margem de lucro inflacionada em menos de 24 horas.
  • Luciane Zuffo Vargas de Andrade: Empresária ligada à empresa Sonoar, fornecedora original dos equipamentos médicos que acabaram parando na adega.

O Portal Chumbo Grosso segue acompanhando de perto cada passo dessa movimentação jurídica que promete sacudir os bastidores dos tribunais em Manaus.

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