A queda de braço judicial nos Estados Unidos ganhou mais um capítulo de pura tensão. A juíza distrital da Flórida, Mary S. Scriven, rejeitou frontalmente uma investida da Advocacia-Geral da União (AGU) e garantiu mais uma semana de prazo para que as empresas Rumble e Trump Media — ligada ao presidente americano Donald Trump — se manifestem no processo explosivo movido contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Com a canetada da magistrada, as companhias agora têm até o dia 14 de julho para apresentar suas respostas.
A decisão é um claro revés para os planos da AGU, que atua como defensora de Moraes no exterior. O órgão brasileiro tentava encurralar as plataformas, exigindo que a Justiça americana forçasse uma resposta imediata até a última terça-feira (7) — tentativa que acabou frustrada.
O Jogo de Pressão nos Tribunais Americanos
O processo é um emaranhado de ataques jurídicos de lado a lado:
A contraofensiva do Brasil: No final de junho, a AGU conseguiu respirar quando a juíza negou o pedido da Rumble e da Trump Media para declarar Moraes “em revelia” (quando o réu deixa de se defender no prazo). Scriven aceitou a entrada do governo brasileiro no caso para blindar o ministro.
A acusação das empresas: A Rumble e a Trump Media insistem que Moraes ignorou solenemente as notificações judiciais enviadas por meios autorizados pela lei americana, deixando o prazo correr sem esboçar reação ou pedir prorrogação oficial.
A juíza, no entanto, optou por congelar a discussão sobre a revelia de Moraes. Para ela, antes de qualquer coisa, a Justiça dos EUA precisa decidir se aceita o pedido desesperado do governo brasileiro para extinguir a ação de vez.
Entenda o Caso: A Acusação de Censura Internacional
O incêndio começou em maio, quando Alexandre de Moraes foi notificado por e-mail sobre a ação protocolada em fevereiro no Tribunal Federal da Flórida.
As gigantes digitais acusam o ministro do STF de promover censura ilegal e sistemática contra discursos políticos de figuras da direita brasileira, utilizando como exemplo o influenciador Allan dos Santos.
O argumento central: As empresas alegam que as ordens de Moraes para derrubar contas na Rumble violam brutalmente a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão.
Além disso, criticam a exigência do magistrado para que as plataformas mantenham representação legal no Brasil sob pena de sanções. Embora a Trump Media não tenha sido alvo direto dos bloqueios, a empresa entrou na briga alegando que depende diretamente da infraestrutura da Rumble para manter a rede Truth Social de pé.
Agora, a AGU corre contra o tempo para tentar barrar o avanço do processo e livrar o ministro dos holofotes do Judiciário americano.





