O candidato ao Governo do Amazonas pela Federação REDE-PSOL, Isael Munduruku, foi recebido nesta quinta-feira (3) pelo presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), desembargador Jorge Álvaro Marques Guedes. O encontro transcorreu em clima de cordialidade e respeito mútuo, com abertura da Presidência ao diálogo com as lideranças indígenas.
Na conversa, Isael destacou a trajetória do Tribunal junto aos povos originários da Amazônia, os seminários promovidos pela Escola Judicial em Presidente Figueiredo e em São Gabriel da Cachoeira, com lideranças indígenas compondo as mesas; a cooperação firmada com o Tribunal de Justiça do Amazonas para ampliar o alcance da Justiça Itinerante; e o lançamento do Manual do Trabalhador Amazônico, traduzido também para o nheengatu.
“O TRT-11 é um tribunal que sobe o rio, que atravessa distâncias continentais para levar a Justiça a quem mora longe. Isso precisa ser dito e reconhecido, sobretudo agora”, afirmou Munduruku.
O encontro ocorreu em meio à repercussão de uma declaração relatada pela desembargadora Cristiana Maria Valadares Fenelon, do TRT da 3ª Região (Minas Gerais), durante sessão realizada em 13 de agosto, ao se discutir a Política Regional de Justiça Itinerante. Segundo o relato, uma magistrada do Amazonas teria dito que os povos indígenas “só trabalham se forem escravizados”.
Em nota divulgada em 27 de agosto, a Presidência do TRT-11 informou que a magistrada citada “não reconhece como suas as declarações que lhe foram atribuídas”, manifestou solidariedade a ela e reafirmou seu compromisso com as realidades dos povos originários da Amazônia. A Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, por sua vez, determinou que a desembargadora do TRT-3 preste esclarecimentos sobre a manifestação.
Para Isael Munduruku, o caminho é institucional e colaborativo.
“Vim reafirmar que o respeito aos povos indígenas não pode ser relativizado, e vim também reconhecer o trabalho que este Tribunal já faz. Encontrei aqui uma Presidência aberta, atenciosa e comprometida. É assim que se constrói, com diálogo, e não com desconfiança”, declarou.
Durante a reunião, foram apresentadas propostas de continuidade, a inclusão do Parque das Tribos e das demais comunidades indígenas de Manaus no calendário da Justiça Itinerante, a disponibilização de intérpretes e de material informativo em línguas indígenas, e a participação de professores e lideranças indígenas na formação continuada de magistrados e servidores.
“Nossa voz não pode ser silenciada, e ela é mais forte quando encontra portas abertas como as que encontramos hoje. O respeito aos povos indígenas é inegociável, e o diálogo com o Judiciário é o caminho para transformá-lo em política permanente”, concluiu Munduruku.
Fotos: Carlos Andrade/Divulgação.





