A quebra do Ueno Bank causou um choque sistêmico que interrompeu grande parte dos pagamentos digitais do Paraguai, afetando comércio, população, previdência e gerando uma crise de confiança no setor financeiro do país.
O Ueno Bank, que processava cerca de dois terços das transações eletrônicas do varejo paraguaio, teve suas atividades encerradas após intervenção do Banco Central do Paraguai devido a uma grave crise de solvência.
A quebra provocou uma forte paralisação econômica. Aproximadamente 70% das vendas do comércio varejista e de importação foram afetadas, porque pagamentos por cartão e transferências ligados ao banco deixaram de funcionar.
O banco tinha cerca de 2,9 milhões de correntistas em um país com aproximadamente 6,1 milhões de habitantes, o que ampliou o impacto sobre a população. Muitas pessoas ficaram sem conseguir pagar transporte, alimentação, aluguel e outras despesas básicas.
O Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação criminal e expediu mandados de prisão contra executivos ligados ao grupo controlador do banco. A crise também reacendeu debates políticos envolvendo o presidente paraguaio Santiago Peña, que já havia sido sócio do banco.
Houve protestos e aglomerações em frente a agências fechadas em várias cidades, enquanto a polícia reforçou a segurança devido ao risco de distúrbios.
Há preocupação com o sistema previdenciário do país, pois o Instituto de Previdência Social (IPS) teria cerca de US$ 300 milhões aplicados ou depositados na instituição em liquidação.
O Banco Central afirmou que 97% dos clientes estariam cobertos pelo fundo de garantia de depósitos, com limite de cobertura por correntista. No entanto, os reembolsos podem levar até 15 dias para começar, o que gera preocupação entre famílias e pequenos comerciantes dependentes do dinheiro para o dia a dia.





