O jogo para 2026 já começou e o PT não está para brincadeira. Em entrevista ao Poder360, o secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, abriu a caixa de ferramentas da legenda. A estratégia é clara: bater no governo anterior, resgatar programas sociais “de estimação” e lançar pautas que mexem com o bolso e o descanso do trabalhador para tentar garantir a sobrevivência no poder.
O “Mantra” da Comparação
A ordem no Planalto é olhar pelo retrovisor. O PT quer forçar o eleitor a comparar o cenário atual com o período 2019-2022. Para Valadares, a narrativa será o “alto contraste” entre os modelos econômicos. Enquanto o governo tenta emplacar a imagem de “reconstrução”, a oposição já se prepara para o contra-ataque.
Bandeiras de Campanha: Do Trabalho à Segurança
Para tentar atrair a simpatia popular, o partido aposta em temas sensíveis:
Fim da Escala 6×1: O PT quer capitalizar em cima da exaustão do trabalhador, defendendo o fim da jornada que permite apenas um dia de folga.
Pacto contra o Feminicídio: Uma tentativa de consolidar o voto feminino com pautas de proteção direta.
PEC da Segurança: O governo tenta tirar o monopólio da direita no tema “segurança pública” com uma proposta de sistema integrado nacional. Mas fica o desafio: o povo quer ver resultado na rua, não apenas no papel.
Economia e Isenção de R$ 5 Mil
No campo econômico, o discurso é o “nós contra eles”. Éden defende a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, jogando o peso da arrecadação para os super-ricos (quem ganha acima de R$ 1 milhão). É a velha tática de dividir o campo de batalha entre a “soberania popular” e o que chamam de “entreguismo” da direita.
Blindagem contra Corrupção
Sobre o escândalo do Banco Master, o PT já ensaiou a defesa: empurrar o problema para o colo do Centrão (PL, PP e União Brasil) e para a gestão anterior do Banco Central. Valadares garante que Lula mandou investigar tudo via PF e CGU, tentando criar uma barreira moral entre o atual governo e as suspeitas de malfeitos.
Mira no “Clã Bolsonaro”
Quanto ao cenário eleitoral, o PT já preparou a artilharia contra Flávio Bolsonaro. O plano não é o ataque pessoal vazio, mas o uso de investigações oficiais — como o caso das rachadinhas e milícias no Rio — para minar a imagem do senador.
O recado está dado: a equipe de pré-campanha já está montada com nomes de peso como Gleisi Hoffmann, Paulo Okamotto e Gabrielli. O PT não vai esperar o ano que vem; a guerra de narrativas para 2026 está oficialmente aberta.
Foto: Reprodução.
Texto: Ronaldo Aleixo.





