Os ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram neste domingo (11) áreas atingidas pelos incêndios florestais no Amazonas. Durante entrevista coletiva na Base Aérea de Manaus, após a vistoria, Capobianco afirmou que a situação era mais grave do que imaginava.
“O que vimos ali é uma situação muito grave, mais grave do que eu imaginava antes de fazer o sobrevoo, porque identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado em pastagem e adentrou a floresta. Isso é muito comum, ocorre muitas vezes porque o fogo vai rapidamente entrando por baixo da floresta, danificando a floresta”.
“Mas, nesse caso, além do fogo que vem da pastagem, nós vimos focos no meio da floresta preservada, inúmeros focos. Esse é o problema grave, porque indica claramente que são incêndios criminosos com o objetivo de degradar a floresta e posteriormente buscar a derrubada na sequência”, acrescentou.
O ministro defende a atuação das forças de segurança para responsabilizar quem provoca incêndios.
“Nós temos que fazer um apelo ao governo do Estado que, além do Corpo de Bombeiros, coloque também a Polícia Militar para atuar. É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos, ou seja, é necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, afirmou.
Chumbo Grosso: O Ensurdecedor Silêncio dos Artistas da extrema-esquerda diante da Amazônia em Chamas
A floresta amazônica está queimando em níveis alarmantes, a fumaça sufoca a população de Manaus e os próprios ministros do governo atual admitem, em sobrevoos de emergência, que a situação é “muito mais grave” do que se imaginava, apontando para uma explosão de incêndios criminosos. Diante desse cenário de terra arrasada, uma pergunta ecoa com força total nos bastidores da política e nas redes sociais: onde foi parar a indignação da nossa classe artística?
O contraste é gritante e expõe uma incoerência difícil de mascarar. Entre 2021 e 2022, assistimos a uma mobilização midiática sem precedentes. Mais de 30 grandes nomes da música brasileira — incluindo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Daniela Mercury e Nando Reis — uniram vozes e violões na badalada “Canção pra Amazônia”. Naquela época, o lema “Salve a Amazônia” era repetido como mantra em posts milimetricamente engajados, clipes de alta produção e discursos inflamados que apontavam o dedo diretamente para Brasília. A destruição da floresta era tratada como uma tragédia humanitária inaceitável.
Corta para o cenário atual. O bioma registra recordes históricos de áreas queimadas. A floresta preservada arde por dentro, a seca extrema castiga as comunidades locais e o oxigênio da região metropolitana dá lugar à fuligem. E qual é a resposta dos mesmos artistas que antes choravam pela floresta? O silêncio absoluto. Não há novas canções de protesto, não há videoclipes em massa, não há campanhas globais cobrando o Palácio do Planalto com o mesmo rigor de outrora.
O ativismo de outrora deu lugar a um “sumiço” estratégico. Em vez de manifestos de cobrança pelas promessas ambientais não cumpridas, o que se vê hoje são assinaturas em cartas de apoio institucional e celebrações pela reestruturação de verbas da cultura. Enquanto o fogo consome a mata sob a gestão atual, os microfones da ala artística parecem ter sido convenientemente desligados.
A narrativa dos defensores do governo tenta justificar a calmaria dizendo que agora “há canal de diálogo aberto”. Mas para o cidadão que respira fumaça no Norte do país, o canal de diálogo não apaga o fogo. O desaparecimento dos paladinos da floresta deixa claro que, para muitos, a defesa da Amazônia tinha cor partidária e prazo de validade. Quando o governo muda, a indignação artística, pelo visto, também muda de intensidade





