Pessoas que afirmam ter trabalhado como cabos eleitorais do candidato a deputado estadual Platiny Soares (Avante) não receberam pagamentos de campanha durante as eleições deste ano. A reportagem de A CRÍTICA teve acesso a mensagens trocadas entre a equipe do candidato e os denunciantes e a um boletim de ocorrência registrado por um dos líderes das equipes de trabalho que alega não ter recebido o combinado. Um assessor do deputado, que não foi eleito, alega que os cabos não trabalharam no período, e que os pagamentos estão sendo feitos.
No início desta semana, as redes sociais de Platiny receberam uma chuva de comentários de perfis que alegavam não terem recebido o combinado por um trabalho como cabos eleitorais. Nesta quarta-feira (5), um áudio chegou a viralizar em perfis de memes. Na gravação, o então candidato discute com uma mulher que o cobra pelo pagamento do trabalho.
A reportagem conversou com uma pessoa que participou como líder dos cabos eleitorais do candidato. Segundo ela, que preferiu não se identificar por estar sofrendo ameaças, o trabalho começou em 1º de setembro, quando a campanha de Platiny formou 70 grupos com 25 membros cada, mais responsáveis (líder) para todas as equipes. O combinado era pagar R$ 500 a cada membro e R$ 1,5 mil ao líder. O trabalho era composto por uma série de atividades.
“As nossas obrigações eram estar sempre divulgando nas redes [o candidato], compartilhando e comentando nas publicações. Foi imposto também que deveríamos ter a foto do candidato como perfil no WhatsApp. Era obrigatório. Eles informaram que quem não colocasse ia receber só R$ 500”, conta a fonte.
Segundo ela, cada membro precisava também enviar fichas semanais com cerca de dez eleitores cadastrados com nome, endereço, telefone, zona e seção eleitoral, e redes sociais. “Toda semana essas fichas eram entregues e os assessores ligavam para confirmar se a pessoa iria votar nele”, diz a fonte anônima.
O líder ouvido por A CRÍTICA afirmou que o trabalho foi realizado até 1º de outubro, um dia antes do primeiro turno das eleições, quando também estava previsto o pagamento dos membros e dos líderes das equipes. Porém, o repasse dos valores não foi feito completamente até o momento.
“Algumas equipes receberam só R$ 500 e outras nem receberam ainda. A gente pensava que tinha sido só a nossa equipe, mas quando vimos os comentários nas redes sociais dele descobrimos que tinha acontecido com mais gente também”, comenta o líder.
Segundo dados apresentados pelo candidato para a Justiça Eleitoral, ele somou R$ 115.590 de receita para a campanha e declarou o gasto de R$ 12.390. Os números podem ser acessados aqui.
Defesa
A reportagem procurou a assessoria de comunicação do Avante, partido ao qual Platiny Soares é filiado, mas não obtivemos retorno. Tentamos também contato com um número atribuído ao candidato, mas ele não atendeu. Conseguimos falar com um dos assessores de Platiny pelo telefone oficial de Mídias do candidato.
“Todos os pagamentos estão sendo feitos regularmente e o Sr. Platiny permanece atendendo no mesmo escritório, com o mesmo número de contato. Isso indica que não há nenhum problema para a realização de nenhum pagamento. A equipe está sendo vítima de um grande golpe, onde pessoas que não trabalharam e nem sequer tem título de eleitor tentando receber como cabo eleitoral sem ter trabalhado na campanha do mesmo”, disse o assessor, que se negou a identificar-se.
Como diz a nota, ele aponta que as pessoas não teriam trabalhado na campanha do candidato, além de “nem sequer” ter título de eleitor, uma referência ao fato de os cabos terem declarado apoio a Platiny nas redes sociais.





