O debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas registrou um dos momentos mais tensos na discussão sobre as políticas públicas de ensino. Ao criticar o estado das escolas estaduais e a desvalorização dos professores, o candidato Omar Aziz (PSD) foi diretamente confrontado por Isael Munduruku, que cobrou a atuação do adversário ao longo dos seus 12 anos de mandato como senador da República.
Omar aponta sucateamento da rede estadual e relembra gestão
Ao abrir o bloco de perguntas, Omar Aziz dirigiu críticas à atual situação da infraestrutura educacional no interior e na capital, sustentando que recursos bilionários foram aplicados em reformas sem retorno efetivo para a qualidade do ensino. O candidato afirmou que prefeituras municipais vêm assumindo custos que seriam da esfera estadual, como a cessão de funcionários para a limpeza das unidades escolares.
Omar também abordou a pauta trabalhista da categoria, citando a perda da data-base e o desgaste na remuneração dos professores. Para fundamentar o seu discurso, resgatou medidas de quando governou o estado, ressaltando a implementação do plano de cargos e carreiras e o pagamento de salários extras e prêmios de valor aos docentes.
“Você está há 12 anos no Senado”: o contra-ataque de Isael
Na resposta, Isael Munduruku mudou o foco do debate para a responsabilidade fiscalizadora dos parlamentares no Congresso Nacional. Isael questionou a postura de cobrança de Omar, lembrando que o ex-governador ocupa uma cadeira no Senado Federal há mais de uma década e possuía peso político para intervir, convocar e responsabilizar os gestores estaduais — citando nominalmente o governador Wilson Lima — diante dos problemas crônicos da educação.
Segundo Munduruku, um parlamentar com mais de dez anos de mandato em Brasília não pode se limitar a apontar que “o governo A ou B não presta”, devendo prestar contas do que fez para cobrar soluções do Executivo.
Para rebater justificativas sobre as dificuldades operacionais da região, Isael utilizou o estado do Pará como contraponto. O candidato pontuou que os paraenses enfrentam os mesmos desafios de isolamento geográfico e logística de rios, mas alcançaram indicadores educacionais superiores aos do Amazonas, cobrando compromisso direto com a gestão do setor.





